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ARTIGO

Pedro Chaves: "Jovens que não estudam e nem trabalham"

Senador da república

Redação

02/02/2017 - 02h00
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Estou preocupado com a quantidade de jovens que nem estudam e nem trabalham. Em alguns casos, nem procuram mais um posto de trabalho. Esse é um fenômeno que atinge ambos os sexos e ficou conhecido na literatura econômica como geração “nem nem” porque eles nem trabalham e nem estudam. O mais grave é que esse contingente pode seguir aumentando no Brasil e no mundo.    

Sabemos que em momentos de crise econômica são os jovens quem primeiro perdem emprego. As inovações tecnológicas e o caos econômico que o planeta vivencia, nos dias de hoje, expurgou milhares deles do mercado de trabalho formal e informal. Isso é grave e produz consequências profundas na família. As crises econômicas, no geral, são acompanhadas de grandes tragédias.  O flagelo do desemprego é uma delas.  

O número de jovens considerados “nem nem” no Brasil e no mundo é altíssimo. O Jornal O Estado de São Paulo em 02 de dezembro de 2016 trouxe rica matéria sobre esse drama. De acordo com a reportagem, na última década, o número de brasileiros de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham cresceu, passando de 22,6% da população nessa faixa etária para 27,4%, ou seja, mais de um a cada quatro.  

Quando se amplia o grupo etário para a faixa de 15 a 29 anos, observa-se que o percentual dos que não trabalham, não estudam e nem procuram trabalho passou de 12,8% para 14,4% de 2005 a 2015.  As jovens e as mulheres adultas são a grande maioria desse grupo. Dados publicados pelo jornal Folha de São Paulo em 7 de março de 2016 indicam que três em cada dez mulheres   abandonam a escola e não concluem sequer o ensino médio por conta de gravidez na adolescência. São adolescentes que viram mães e têm que cuidar do filho. Pesquisa liderada pelo Instituto Ayrton Senna informa que - um em cada dez jovens brasileiros - entre 15 e 17 anos - está fora da escola e sem trabalhar.  

 Países ricos e pobres convivem com essa anomalia. Há cerca de 39 milhões de “nem-nem” em 33 países industrializados, de acordo com Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No Reino Unido, na França e nos Estados Unidos eles eram 16% da população entre 15 e 19 anos em 2013. Na Coreia do Sul e na Irlanda, eram 19%, enquanto na Espanha e na Grécia mais de 25%.  
 A falta de oferta de emprego é um fato concreto. A produção automatizada troca braços humanos por máquinas, isso é uma verdade incontestável. Entretanto, a meu ver, não pode ser motivo para que uma parte dos jovens deixe de procurar emprego e abandone os estudos. Isso é contraditório. Quanto mais ele se afasta da escola mais difícil fica a conquista de um emprego. O mercado de trabalho do século XXI exige mão-de-obra altamente qualificada. A formação do trabalhador contemporâneo é feita em escolas e universidades.  O jovem que fica distante dessas instituições tende a não adquirir as habilidades que o mercado exige.   

 Essa situação é uma verdadeira tragédia. Como o Brasil vai avançar, no campo econômico, se continuar convivendo com taxa altíssima de jovens fora da sala de aula? Não temos como disputar o mercado mundial   se não investirmos cada vez mais em educação de qualidade. O jovem que não estuda não se qualifica para a vida e nem para o trabalho contemporâneo.  

Vou levar esse assunto a Tribuna do Senado Federal.  Não tem o menor cabimento deixarmos que nossos jovens percam o prazer pelo trabalho e pelo estudo em uma conjuntura nacional e internacional em que a inovação tecnológica e a ciência aplicada fazem profunda diferença. O sucesso de uma nação está ligado diretamente a formação dos seus trabalhadores.

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