É necessário centrar forças para tornar o Estado atrativo, buscando potencialidades de cada região para todos usufruírem do crescimento.
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CORREIO DO ESTADO
Confira o editorial desta sexta-feira: "Desafios da recessão"
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Em meio a índice crescente de desemprego em todo País, o fechamento de indústrias provoca baque significativo e efeito devastador em qualquer município. Esse drama é enfrentado em Coxim, no norte do Estado, onde 210 pessoas foram demitidas depois do fechamento de frigorífico do grupo JBS. O desastre estende-se ainda para produtores, que vendiam para a empresa. Há consequências para o comércio e até mesmo na arrecadação dos cofres da prefeitura. O grande desafio dos gestores consiste em tentar atrair investimentos para sua cidade. Ainda há longo caminho para retomar o crescimento no País e levará tempo para recuperar o saldo negativo de 2016 e 2015, anos em que País atravessou forte recessão econômica, agravada pela instabilidade política.
As dificuldades financeiras forçaram famílias a rever hábitos e a queda no consumo foi inevitável. Na lista, até mesmo a carne deixou de figurar com tanta frequência na mesa dos brasileiros. Impacto direto no setor frigorífico, responsável pela geração de milhares de empregos. A lista de setores atingidos, porém, não para de crescer.
Nessa “batalha” por investimentos, surgem as propostas de incentivos fiscais e as vantagens condicionadas a questões geográficas. Infelizmente, há muito tempo, a região norte do Estado e alguns municípios menores vêm perdendo essa luta. No caso do JBS, ganha-se de um lado, mas perde-se de outro. Enquanto a unidade em Coxim é fechada, o grupo investe na implantação ou expansão de outras plantas frigoríficas no Sul do Estado. Para o investimento de quatro unidades, foram assegurados incentivos fiscais de R$ 1 bilhão. Abre-se brecha para que outros interessados reivindiquem esse mesmo benefício ao instalarem-se no Estado.
O Governo do Estado já começa a rever a política de incentivos, mas as propostas ainda estão sendo debatidas. Afinal, trata-se de assunto bastante delicado e que pode resultar em vários questionamentos. Discute-se a possibilidade de reduzir percentual de benefícios já concedidos. Ainda, existia proposta para conceder descontos de ICMS diferenciados para cidades que, historicamente, recebem menos investimentos. Seria uma forma de atrair empresas e gerar empregos para diferentes regiões do Estado. A ideia, porém, ainda não avançou.
Os desafios na área econômica são imensos. Durante todo o ano passado, Mato Grosso do Sul fechou 2.670 empresas, pior resultado dos últimos 12 anos. Também, 7,7 mil vagas foram fechadas. Surgem mais problemas sociais, obras são suspensas e a receita cai.
Gestores buscam o equilíbrio das contas públicas. Esse é o foco principal da reforma administrativa planejada pela gestão de Reinaldo Azambuja. Em Campo Grande, a gestão aposta em redução de gastos e negociação dos débitos com os contribuintes. Medidas indispensáveis, mas insuficientes para promover a estabilidade econômica. Mais que salvar as finanças podem servir como estímulo aos empresários, que permanecem receosos ao retomar os investimentos. É necessário centrar forças para tornar o Estado atrativo, buscando potencialidades de cada região com foco em estratégias para que todos possam usufruir do crescimento.
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