“Corpo sano, mente sana” O autor desta famosa frase é poeta romano Decimus Junius Juvenalis, nascido no ano (presumi-se) em 509 a. C. em Aquino na Itália.
Um estudo recente tenta explicar cientificamente o ditado de Juvenal. Realizado pela Universidade de John Hopkins dos Estados Unidos, o estudo revela uma possível explicação bioquímica por trás desta observação milenar: uma mesma proteína conhecida por atuar na saúde mental — como antidepressivo, melhorando a memória e o aprendizado, nutrindo os vasos sanguíneos e estimulando o crescimento de células nervosas — também tem um papel central em manter a vitalidade do músculo cardíaco.
Se a pesquisa exalta um avanço na relação entre a mente sã e o corpo são” o que falar do corpo filosófico? Não se nasce com um corpo. O corpo é um pseudo-resultado que se obtém de forma sempre incompleta até o fim da vida. Ele é um processo essencial que faz parte da luta de viver.
Nunca se é completamente dono do próprio corpo nem completamente um com ele. Para poder conseguir se enraizar no próprio corpo (lembrando que há sempre tempestades e tormentas que ameaçam as raízes) é preciso primeiramente de um bocado de sorte. Sorte, pois, parte do corpo depende do cuidado que os primeiros cuidadores oferecerão ao emergente vivo. Este cuidado só é possível que tenha uma qualidade suficientemente boa dependo da saúde e da qualidade das experiências desses cuidadores que serão para o recém-nascido como Deus e o Diabo e já de início tem a árdua tarefa de tornar o corpo suficientemente pessoal e próprio ao recém-nascido.
Das complicações do início da vida já surgem incapacidades em se apropriar do corpo; E há quem diga que se faz a própria sorte (resquícios da ilusão de onipotência humana?).
As histórias de fantasmas, as alucinações, as distorções de auto percepção (sempre imbuídas de algum tipo de verdade singular àquele ser vivo) são pistas mais certeiras que experimentos em inócuos laboratórios psicológicos de que o corpo não é um bem já garantido naturalmente.
O natural, o biológico de fato é um significativo e influente componente que fará parte da realidade singular vivente de cada um... irá trazer facilidades e - ou complicações, mas não é mais que um tendência que deverá se relacionar dialeticamente ao ambiente, aos cuidados parentais humanos... é uma luta e um trabalho se apoderar suficientemente bem de seu corpo... Uns sofrem mais outros sofrem menos, uns conseguem encravar suas raízes mais profundamente, outros menos... mas ninguém é um com seu corpo.
Identificações com os primeiros cuidadores, fantasias mitológicas que são as entranhas do aparelho psíquico e da experiência humana, organizadores simbólicos (tabus, regras, etc..).Todos são elementos dessa complexa e impossível tarefa de integrar psique e soma... alma e corpo... humanidade e animalidade... natureza e cultura...
É uma jornada sem fim mas infinitamente gratificante de se percorrer já que seu catalizador é apenas um: O mitológico Eros (A sexualidade que capacita a infinita ampliações de laços, de relacionamentos, de enriquecimentos dialéticos). Portanto embora seus resultados não são apenas uma lembrança da enorme complexidade da química do coração. E sua fisiologia ser um ótimo exemplo da capacidade de uma única proteína agir em múltiplas frentes e afetar muitos órgãos e funções, sem querer contrariar o Juvenal e os pesquisadores, na minha humilde opinião, nem sempre para uma mente sã existe um corpo idem...