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Confira o editorial deste sábado: "Mudança de rumo"

Confira o editorial deste sábado: "Mudança de rumo"

Redação

04/02/2017 - 03h00
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A partir do equilíbrio financeiro, inicia-se outro processo para aplicar da melhor forma as verbas disponíveis, evitando o desperdício.

O reflexo do desleixo da gestão passada ainda permanece evidente ao percorrer as ruas de Campo Grande. As férias escolares estão chegando ao fim, mas crianças e adolescentes não conseguiram, neste período, usufruir de parques e praças púlicos. Brinquedos quebrados, piscinas interditadas por falta de manutenção e mato alto inviabilizam a utilização desses espaços. Aos poucos, o tapa-buraco vem sendo retomado, porém as chuvas impedem trabalho mais célere. O descuido permanece nos canteiros de avenidas, onde formigueiros tomam conta e árvores não são podadas. A fiscalização também permanece ineficiente em relação à calçadas irregulares ou terrenos sujos e com mato. Diante do colapso herdado, um mês seria insuficiente para colocar “ordem na casa”, ainda mais com o desastre nas finanças. 

    O breve resumo acima - perceptível para qualquer campo-grandense que circula pela Capital - expõe apenas parte do desafio da atual gestão. Hoje, não está sendo possível executar medidas simples, relacionadas a cuidados básicos com a cidade. Os formigueiros nos canteiros, por exemplo, não podem ser eliminados porque a prefeitura não dispõe de veneno para que as equipes possam executar esse serviço. Será necessário abrir licitação, avaliar as propostas com menor preço apresentadas pelas empresas, aguardar se não haverá recursos ao procedimento e, então, finalmente, adquirir o produto. Segue-se o mesmo trâmite burocrático adotado em todas as compras da administração municipal e que, teoricamente, já deveria fazer parte da rotina de gestão, contando com cronograma e planejamento para que os estoques sejam renovados. 

    Na gestão antiga, essa organização jamais existiu. Precisa ser adotada. O primeiro passo está sendo dado e segue o caminho correto. Obter recursos para regularizar essas pendências. Afinal, sem dinheiro nem mesmo essas medidas simples poderão ser feitas. A arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) somou R$ 180 milhões, mas parte do recurso já foi comprometida para quitar dívidas herdadas e o pagamento de funcionários que estava atrasado. Ao menos, a folha salarial foi regularizada. O montante, porém, é insuficiente para atender todas as demandas.  Plano mais audacioso está sendo elaborado, com redução de comissionados, secretarias e inclusão de cerca de 600 mil pessoas físicas e jurídicas no cadastro de inadimplentes por conta de débitos atrasados. 

     A prefeitura estava sobrevivendo no sufoco, contando apenas com a receita do mês para quitar dívidas. Alguns débitos eram “empurrados” para o mês seguinte, criando a situação insustentável e o caos enfrentado atualmente. Todos os setores foram atingidos pela letargia e ineficiência. A partir do equilíbrio financeiro, inicia-se outro processo para aplicar da melhor forma as verbas disponíveis, evitando o desperdício. Há lista de urgências: faltam medicamentos e materiais nos postos de saúde, obras paralisadas e algumas que até oferecem riscos à população, a exemplo do desmoronamento da Avenida Ernesto Geisel, com avanço do assoreamento do Rio Anhanduí. A organização é indispensável para que providências básicas e cuidados diários não se transformem em transtornos complexos e demorados. 
 

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