A longa vigência da concessão, que encerra-se em 2060 proporciona à Águas Guariroba sensação de segurança maior as concessionárias com contratos de menor duração.
Chegou a hora de o prefeito Marcos Trad ajustar vários pontos controversos da prestação de serviços pela Águas Guariroba, concessionária responsável pelo abastecimento de água e esgotamento sanitário de Campo Grande até 2060. O vínculo da concessionária com a administração pública supera meio século de continuidade. Para se ter uma ideia do que isto significa, uma pessoa nascida em 2000, e que contribuir e trabalhar durante toda a vida adulta, estaria aposentada ou prestes a aposentar-se quando o contrato chegar ao fim.
A longa vigência da concessão, proporciona à Águas Guariroba sensação de segurança maior que em casos de concessões mais curtas. É como se em uma partida com a prefeitura, a empresa desse as cartas e jogasse de mão.
Ultimamente é facil perceber os benefícios que a Águas Guariroba têm com a prefeitura de Campo Grande. Nos últimos anos, ela teve caminho tranquilo no cumprimento de seu contrato, quase nunca foi questionada pela agência reguladora, nem tampouco pelos últimos prefeitos.
No último domingo, ao vistoriar o trabalho das empreiteiras que atuam nos serviços de manutenção de via, a Operação Tapa-Buraco, percebeu os prejuízos que a Águas vinha causando ao pavimento das vias públicas. Ele foi informado pelos especialistas, que os trabalhos da concessionária em reparos dos encanamentos e da rede de esgoto, provocaram graves danos ao asfalto. O prefeito citou o exemplo da Rua Joaquim Murtinho, recapeada há cinco anos, que têm algumas crateras, justamente ao lado dos remendos feitos pela empresa. Ele exigirá indenização e reparos. E faz bem.
É inconcebível que uma concessionária que tenha uma receita milionária e não precisa adotar estratégias para buscar clientes, por fornecer ítem essencial para a sobrevivência humana, não ofereça uma contrapartida mínima, que é reparar devidamente os buracos que abre.
Como se não bastasse os reiterados problemas causados ao asfalto de Campo Grande durante os reparos das tubulações, a Águas Guariroba mantém cobrança considerada por muitos injusta e ilegal: a taxa mínima de serviço, atualmente cotada em R$ 44,10, imposto aos que consomem até 10 mil metros cúbicos por mês. Em dezembro do ano passado, 65% dos mais de 300 mil clientes da concessionária pagavam este valor.
As circunstâncias que levaram à prorrogação do contrato da Águas Guariroba em 2012 estão sob análise do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, e também da Justiça. É grande a chance de o aditivo que estendeu o vínculo por mais 18 anos e sete meses, seja anulado.
Todo contrato precisa de equilíbrio. Os serviços que a concessionária de água e esgoto executa regularmente são devidamente reconhecidos por sua qualidade. Porém, nos últimos anos, o município, poder concedente, parece estar perdendo poder nesta relação bilateral.