Artigos e Opinião

ARTIGO

Antonio Carlos Siufi Hindo: "Temos que conhecer nossos limites!"

Promotor de Justiça aposentado

Redação

08/02/2017 - 02h00
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A tragédia que roubou precocemente a vida do ministro Teori Zavascki e mais quatro pessoas  que se encontravam a bordo do avião que caiu no litoral de Parati, Estado do Rio de Janeiro,  surpreendeu e entristeceu o povo brasileiro. Foi uma perda irreparável.  Tratava-se de um juiz sério, digno e honrado. Mais do que isso – possuía um acendrado amor ao Direito. Foi um paladino extremado do bem e da justiça. 

Mas a vida precisa continuar. E com ela a pronta responsabilização de todos os envolvidos no maior escândalo de corrupção da história da nossa República.  Esse tema domina a Nação. É a sua principal exigência. Mas a vertente do presente artigo dá-nos um ensinamento valioso. O homem não pode tudo. Ele é limitado. Os desígnios de Deus são indecifráveis.  A morte, em especial.  Ela sempre está à nossa espreita. Ninguém pode ser experiente o suficiente para evitá-la. Com toda a inteligência que recebemos, com o poder de discernimento que dispomos, com as qualidades e virtudes que apontam para uma carreira exitosa que o ser humano pode encontrar durante a sua peregrinação terrena o certo é que o ser humano irá sempre encontrar barreiras intransponíveis. Foi o que aconteceu com o comandante da aeronave que vitimou o ministro. Seus colegas de ofício e também os seus alunos foram unânimes em  afirmar que se tratava de um piloto experiente. Mas só isso não basta. 

Qualquer que seja a nossa ação desde a mais simples até a mais complexa não podemos nos respaldar apenas na experiência para evitarmos transtornos ou mesmo aborrecimentos. Isso não aprendemos só com a vida. A História está repleta de fatos que servem de exemplos para disciplinarmos os nossos comportamentos. Da França de Napoleão Bonaparte temos esse precioso indicativo. Quando se tornou Imperador, o líder politico e militar francês horrorizou a Europa dizendo que iria fazer de Paris, a Capital do Mundo. Esse fato está registrado nos anais da História. Mas com todo o poder militar que possuía, Napoleão não ousou invadir o território britânico pelo mar. Os melhores soldados, a  melhor infantaria, a melhor cavalaria e uma artilharia invejável  estavam à sua disposição. Mas não possuía a força marítima capaz de lhe assegurar a vitória contra os ingleses pelo Mar. Reconheceu a sua limitação nessa área. Foi o seu bom senso  que indicou essa direção e evitou jogar para um ato suicida o que tinha de melhor, seus soldados. Traçou então outro plano. Invadiu o Egito, e tomou a sua capital, Cairo. Um cobiçado entreposto comercial utilizado pelos ingleses para os seus atos de mercancia com os produtos orientais. Com essa estratégia, Napoleão, colocou fim a um comércio lucrativo dos britânicos. O impacto que os ingleses sofreram teve o mesmo gosto amargo de uma derrota militar. 

Esse tipo de ação exemplar deveria ter tomado o comandante da aeronave que vitimou o ministro Teori Zavascki. Ele tinha vidas preciosas sob a sua responsabilidade. O tempo era chuvoso. A neblina intensa. A visibilidade nenhuma, o aeroporto não operava por instrumento. Foram duas as tentativas de aterrissagem sem sucesso.  Essas situações unidas e coordenadas poderiam ser um indicativo para o comandante não avançar com o propósito de chegar ao seu destino. Precisava recuar.  Não foi o que aconteceu. O comandante desprezou esses fatores todos que conspiravam em seu desfavor. Quem somos nós para formalizarmos esse tipo de advertência. Não somos nada. Mas os fatos relatados pela História apontam para a precaução. O fato  protagonizado por Napoleão poderia ter sido o indicativo de um melhor desfecho se o comandante da aeronave  seguisse à risca  o raciocínio do general francês. Esse exemplo aliado a outros tantos servem de bússolas valiosas  para indicar o melhor  e mais seguro  caminho a seguir. Com confiança, segurança e responsabilidade. Afinal quando se trata de vida  não existe nada mais precioso do que ela. É a maior bênção que o ser humano pode receber. Por ela precisamos fecundar todos os momentos da sua existência para torná-la ricamente feliz. Foi para isso que o homem foi criado. É esse o recado divino. É essa a advertência que o trágico acidente nos deixa como exemplo.  Não existe outro. 

 

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