A tragédia que roubou precocemente a vida do ministro Teori Zavascki e mais quatro pessoas que se encontravam a bordo do avião que caiu no litoral de Parati, Estado do Rio de Janeiro, surpreendeu e entristeceu o povo brasileiro. Foi uma perda irreparável. Tratava-se de um juiz sério, digno e honrado. Mais do que isso – possuía um acendrado amor ao Direito. Foi um paladino extremado do bem e da justiça.
Mas a vida precisa continuar. E com ela a pronta responsabilização de todos os envolvidos no maior escândalo de corrupção da história da nossa República. Esse tema domina a Nação. É a sua principal exigência. Mas a vertente do presente artigo dá-nos um ensinamento valioso. O homem não pode tudo. Ele é limitado. Os desígnios de Deus são indecifráveis. A morte, em especial. Ela sempre está à nossa espreita. Ninguém pode ser experiente o suficiente para evitá-la. Com toda a inteligência que recebemos, com o poder de discernimento que dispomos, com as qualidades e virtudes que apontam para uma carreira exitosa que o ser humano pode encontrar durante a sua peregrinação terrena o certo é que o ser humano irá sempre encontrar barreiras intransponíveis. Foi o que aconteceu com o comandante da aeronave que vitimou o ministro. Seus colegas de ofício e também os seus alunos foram unânimes em afirmar que se tratava de um piloto experiente. Mas só isso não basta.
Qualquer que seja a nossa ação desde a mais simples até a mais complexa não podemos nos respaldar apenas na experiência para evitarmos transtornos ou mesmo aborrecimentos. Isso não aprendemos só com a vida. A História está repleta de fatos que servem de exemplos para disciplinarmos os nossos comportamentos. Da França de Napoleão Bonaparte temos esse precioso indicativo. Quando se tornou Imperador, o líder politico e militar francês horrorizou a Europa dizendo que iria fazer de Paris, a Capital do Mundo. Esse fato está registrado nos anais da História. Mas com todo o poder militar que possuía, Napoleão não ousou invadir o território britânico pelo mar. Os melhores soldados, a melhor infantaria, a melhor cavalaria e uma artilharia invejável estavam à sua disposição. Mas não possuía a força marítima capaz de lhe assegurar a vitória contra os ingleses pelo Mar. Reconheceu a sua limitação nessa área. Foi o seu bom senso que indicou essa direção e evitou jogar para um ato suicida o que tinha de melhor, seus soldados. Traçou então outro plano. Invadiu o Egito, e tomou a sua capital, Cairo. Um cobiçado entreposto comercial utilizado pelos ingleses para os seus atos de mercancia com os produtos orientais. Com essa estratégia, Napoleão, colocou fim a um comércio lucrativo dos britânicos. O impacto que os ingleses sofreram teve o mesmo gosto amargo de uma derrota militar.
Esse tipo de ação exemplar deveria ter tomado o comandante da aeronave que vitimou o ministro Teori Zavascki. Ele tinha vidas preciosas sob a sua responsabilidade. O tempo era chuvoso. A neblina intensa. A visibilidade nenhuma, o aeroporto não operava por instrumento. Foram duas as tentativas de aterrissagem sem sucesso. Essas situações unidas e coordenadas poderiam ser um indicativo para o comandante não avançar com o propósito de chegar ao seu destino. Precisava recuar. Não foi o que aconteceu. O comandante desprezou esses fatores todos que conspiravam em seu desfavor. Quem somos nós para formalizarmos esse tipo de advertência. Não somos nada. Mas os fatos relatados pela História apontam para a precaução. O fato protagonizado por Napoleão poderia ter sido o indicativo de um melhor desfecho se o comandante da aeronave seguisse à risca o raciocínio do general francês. Esse exemplo aliado a outros tantos servem de bússolas valiosas para indicar o melhor e mais seguro caminho a seguir. Com confiança, segurança e responsabilidade. Afinal quando se trata de vida não existe nada mais precioso do que ela. É a maior bênção que o ser humano pode receber. Por ela precisamos fecundar todos os momentos da sua existência para torná-la ricamente feliz. Foi para isso que o homem foi criado. É esse o recado divino. É essa a advertência que o trágico acidente nos deixa como exemplo. Não existe outro.