A omissão, o desleixo na prestação de contas e o abandono de necessidades básicas da população são motivos mais que suficientes para que ele fosse responsabilizado.
O desastre da gestão anterior resulta em prejuízo imensurável aos cofres da Prefeitura de Campo Grande. O desfalque nas finanças é agravado pelo impedimento de obter recursos por meio de convênios justamente porque a administração municipal está inadimplente, com registros no Cadastro Único de Convênios (Cauc) e no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin). Foram dois anos sem prestação de contas em diversas parcerias. Retrocesso para a cidade, que deixou de receber vários investimentos e ainda corre risco de perder ou ter de adiar parcerias importantes. A atual gestão terá longo trabalho para recuperar o tempo perdido.
A negligência passada inviabilizou o repasse, até agora, dos R$ 25 milhões do governo do Estado para que a prefeitura invista em tapa-buraco e recapeamento de ruas da cidade. Demanda urgente que, infelizmente, demorará ainda mais para ser atendida. Os campo-grandenses terão, ainda, de conviver por mais tempo com obras paradas, pois grande parte depende de recursos federais.
É praxe em qualquer investimento que o gestor tenha de prestar contas de cada etapa do empreendimento. A liberação do dinheiro, inclusive, é feita gradativamente, com base no avanço dos trabalhos. Trâmite que tem objetivo de assegurar mais controle sobre a eficácia do investimento, garantindo cumprimento do cronograma e aplicação correta das verbas. Mesmo com essas regras, em todo o País, têm sido frequentes os casos de superfaturamento, irregularidades e atrasos.
Não há dúvidas que as gestões de Alcides Bernal e Gilmar Olarte foram as piores e mais desastrosas da história de Campo Grande. Estranhamente, Bernal ainda não recebeu nenhuma punição. A omissão, o desleixo na prestação de contas e o abandono de necessidades básicas da população são motivos mais que suficientes para que ele fosse responsabilizado na Justiça. Ministério Público Estadual abriu centenas de inquéritos, encaminhou ofício, fez recomendações, mas a conclusão dos procedimentos não acompanhou ritmo necessário. Algumas ações foram impetradas, mas tardiamente, quando a gestão já estava se encerrando ou até já tinha terminado.
Porém, não existem dúvidas que a série de problemas nas contas e os prejuízos ao erário decorrentes da má aplicação de dinheiro público não podem ficar impunes. E, neste sentido, a atuação de órgãos fiscalizadores torna-se imprescindível, mas não tem sido suficiente. Ainda, é preciso rever contratos falhos e suspeitos que também causaram graves prejuízos às finanças municipais, a exemplo do consórcio CG Solurb, contratado para fazer a coleta de lixo e limpeza da cidade. Neste caso, as incoerências começaram ainda na licitação, durante a gestão de Nelsinho Trad, e agravaram-se com reajustes exorbitantes no período da administração de Olarte.
Basta mensurarmos o colapso nas finanças e o abandono das ruas e obras de Campo Grande para constatarmos que irregularidades foram cometidas. Erroneamente, graves problemas de gestão e omissões administrativas permanecem impunes.