É imprescindível tornar mais eficientes e organizados os programas habitacionais A prefeitura precisa agir para acabar com as injustiças e contradições, sem favorecimentos.
A destinação de casas populares em Campo Grande sempre foi marcada por polêmicas, mas o descontrole no setor habitacional ganhou proporções surpreendentes nos últimos anos.
A estagnação de investimentos, aliada à crise econômica e altos índices de desemprego, resultou no avanço da quantidade de favelas em vários pontos da cidade.
A recessão econômica também pode ter contribuído para os altos índices de inadimplência dos mutuários, que atinge surpreendentes 82% das famílias na Capital. Outro ponto falho consiste na escolha daqueles que receberão os imóveis construídos. O foco social perde-se quando casas são colocadas à venda logo depois de entregues.
Enfim, algumas mudanças começam a ser adotadas para regulamentação e início da organização do setor habitacional.
A urgência é representada pela dívida acumulada atualmente em R$ 46 milhões referentes a 10.284 contratos atrasados e pelas dezenas de famílias que permanecem em barracos a espera de ajuda. É preciso adotar providência para que as pendências sejam quitadas e, por isso, os proprietários terão nomes negativados. Assim, haveria recursos para investir na construção de mais casas.
Ainda, a prefeitura iniciou fiscalização para averiguar se os beneficiados ainda residem nas casas ou se já venderam a propriedade.
Outra tarefa tem sido tentar controlar as invasões de áreas públicas. Certamente, todo esse trabalho precisa ser amparado por ação social. Verificar, por exemplo, se as pessoas que compraram as casas estão pagando as mensalidades e atendem aos critérios de renda. Com esses requisitos, há possibilidade de que permaneçam nos imóveis.
Neste contexto, pondera-se sobre as circunstâncias que levaram as famílias à inadimplência ou até à improvisação de moradias em barracos, onde não contam sequer com água e luz.
O País enfrenta grave crise econômica, com elevado índice de desemprego. Campo Grande teve o pior saldo do Estado, com 5.221 vagas fechadas. Fatores que influenciaram para aumento das demandas em diferentes setores.
É preciso voltar a gerar oportunidades e alguns passos têm sido dados. O Governo Federal anunciou ampliação de financiamentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Campo Grande voltou a ter “nome limpo” junto a cadastros nacionais, com regularização da prestação de contas, e agora poderá receber recursos de parcerias para destravar várias obras. Medidas que servirão de estímulo à construção civil, setor que influencia em vários outros e também reflete na geração de vagas.
Sem radicalismos, é imprescindível tornar mais eficientes e organizados os programas habitacionais. A prefeitura precisa agir para acabar com as injustiças e contradições, sem favorecimentos.
Deve ainda apurar com rigor situações não explicadas, como os milhões destinados a Organização Não Governamental Morhar, que abandonou a construção de casas em favelas durante a gestão passada. São medidas essenciais para retomar investimentos e, finalmente, reduzir a fila de espera pela oportunidade da casa própria.