O tempo passa, os custos ficam defasados, trabalhos precisam ser refeitos e, por fim, a obra passa a ser ainda mais cara.
O tempo avança e recursos públicos são desperdiçados na mesma proporção em que obras públicas deterioram-se. Basta percorrer uma construção abandonada para espantar-se com o cenário de desleixo.
O Aquário do Pantanal é exemplo emblemático dessa rede de descasos no setor de infraestrutura. Vidros trincados, paredes mofadas, infiltrações e até equipamentos expostos refletem a falta de cuidado com a construção, que já custou R$ 200 milhões aos cofres públicos.
Somente agora, a gestão estadual começa de fato a movimentar-se para garantir a conclusão do empreendimento, apostando em parceria com empresa privada. As poucas alterações na estrutura demonstram que os anúncios de retomada, feitos anteriormente, foram apenas encenações.
Em tempos de grave recessão econômica, desatar o nó no setor de infraestrutura têm sido desafio de vários gestores públicos. Para atender prioridades e demandas urgentes da população - como saúde, educação e segurança - os investimentos foram cortados.
No cenário das cidades, esqueletos de construções paralisadas tornaram-se comuns. Representam monumentos do difícil momento nas finanças, mas também dos graves problemas de gestão, com falhas que já se tornaram inerentes a maioria das obras públicas: cronogramas descumpridos, orçamentos estourados e qualidade abaixo do esperado. Novamente, o exemplo do Aquário encaixa-se perfeitamente na descrição.
Houve grave falha de planejamento se compararmos a previsão de desembolsar R$ 84 milhões para conclusão do empreendimento ao gasto total que já ultrapassa R$ 200 milhões.
O governo justifica a dificuldade em concluir a obra justamente pelos entraves legais que impedem o incremento do repasse à empreiteira Egelte, já que aditivos não podem ultrapassar 25% do que foi contratualizado. O problema é a demora em encontrar soluções, considerando que há impasses inclusive na Justiça.
Em outras ocasiões, a gestão estadual já tinha demonstrado que não teria a continuidade da obra como prioridade. O discurso mudou e agora a promessa é terminar o Aquário do Pantanal. Falta ainda esclarecer como isso será feito. Cogita-se a formalização de parceria com o Consórcio Cataratas, mas a indefinição permanece.
Para a população, há o receio de prolongar-se o abandono, como já ocorreu com outras construções grandiosas. A estrutura que abrigará o Hospital do Trauma, anexo à Santa Casa, ficou esquecida por mais de uma década. Lapso temporal que resultou em perdas financeiras, tendo de refazer grande parte da construção.
O mesmo ocorre em relação à antiga rodoviária do Cabreúva, que seria transformada em Centro de Belas Artes, mas permanece sem previsão de continuidade.
O tempo passa, os custos ficam defasados, trabalhos precisam ser refeitos e, por fim, a obra passa a ser ainda mais cara. Faltam critérios técnicos, que começam com bom planejamento ainda na fase do projeto e elaboração do edital. Rigor e exigências que devem se estender com fiscalização durante toda fase de de execução. Só assim, o dinheiro público estará sendo bem aplicado.