Poderia iniciar esse texto criticando as práticas dos/as políticos/as brasileiros/as. Todavia, esse é um recurso recorrente no dia a dia e que já vem de longa data. Antes, pretendo escrever sobre os prejuízos de uma das práticas efetivada por esses indivíduos que nos “representam”.
Tzvetan Todorov, que faleceu agora, no dia sete de fevereiro, de 2017, escreveu um livro intitulado A Literatura em Perigo.
Nesse texto, publicado, no Brasil em 2007, Caio Meira, que prefacia a edição da DIFEL, diz: “Não é difícil perceber que a literatura está sob ameaça. E pior: não se trata de um velho perigo, aquele decorrente da disputa agônica com oponentes de peso como a filosofia socrática, que a acusava de subversidade a arte poética, [...] o perigo que hoje ronda a literatura é o oposto: o de não ter poder algum, o de não mais participar da formação cultural do indivíduo, do cidadão”.
Em A República, de Platão, que integra essa filosofia socrática, pretendia-se expulsar a Literatura da cidade, pois ela poderia corromper a realidade, a verdade. Isso porque se acreditava em seu poder dentro daquela sociedade. Atualmente, a Literatura, na grade escolar, só tem por objetivo fazer com que os alunos saibam que um autor escreveu tal ou tal livro e a que escola/movimento literário ela pertence. Lamentável!
Há um tempo, alguns estudiosos começaram a refletir sobre a relação entre ética e estética no âmbito do texto literário e, como disse Paul Ricoeur, a Literatura é um laboratório de experiência.
Malgrado ela não ter uma função social, ou política, predeterminada, ela pode servir à formação de indivíduos mais humanos. Infelizmente, o que vemos na atual conjuntura é que não apenas a Literatura está em perigo, mas as humanidades em geral.
Isso porque há um espírito utilitarista que nos assombra. Para que uma metáfora se posso falar literalmente? Eis o signo de nossa evolução, um minimalismo que não se expressa apenas em uma sociedade lacerada pela desigualdade social que impede uma formação mais humana, como nos idos da Revolução Industrial, mas, principalmente, em um objetivismo tacanho que está se institucionalizando e convertendo nossa sociedade em um abismo consumista.
A Literatura já não está mais em perigo, já não importam os precários conteúdo da grade escolar e os amplos estudos universitário que pretendiam ampliar a compreensão e a relação dos alunos e da sociedade com essa área do conhecimento, a Literatura, graças ao Estado brasileiro está morta, não corre mais risco algum.
Espero que ainda seja possível ressuscitá-la!