A enorme displicência com as atividades era ignorada, subestimada e, certamente, as empresas aproveitavam-se desse comodismo.
A prometida revisão dos serviços prestados por concessionárias começa a ser feita pela Prefeitura de Campo Grande. Tratam-se de reformulações de trabalhos que, há anos, deixam muito a desejar. Mesmo assim, a cobrança não existia.
A enorme displicência com as atividades era ignorada, subestimada e, certamente, as empresas aproveitavam-se desse comodismo.
O transporte coletivo, por exemplo, sempre foi alvo de queixas frequentes: ônibus lotados, demora, atrasos frequentes, além da péssima qualidade dos veículos e do alto custo da passagem, hoje em R$ 3,55. Os preços sobem e os usuários continuam sujeitos a veículos que não oferecem o mínimo de conforto.
Falta fiscalização! A administração municipal iniciará verificação nos 585 ônibus que compõem a frota do Consórcio Guaicurus, pois cada veículo não pode ter mais de dez anos. Medida inédita que, pelo correto, deveria ser rotineira.
Mesmo com reclamações frequentes, as empresas que cuidam do transporte coletivo foram agraciadas com a isenção do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) desde novembro de 2013. Com isso, a administração municipal deixou de arrecadar R$ 15,6 milhões no período. Receita que, sem dúvida, faz muita diferença neste período de recessão em que vários investimentos estão tendo de ser cortados.
O desconto do imposto foi a justificativa para que a empresa não elevasse a tarifa ainda mais, conforme divulgado à época pela prefeitura. Explicação que não convence se compararmos a contradição de o Consórcio receber tal benesse mesmo sem cumprir as exigências de qualidade exigidas pactuadas.
Essa incoerência repete-se em outros setores. O paradoxo ocorre no controverso contrato entre prefeitura e CG Solurb, responsável pela coleta de lixo e limpeza da cidade. Jamais houve controle sobre os trabalhos executados, descaso comprovado pelo mato acumulado em canteiros de avenidas e outras áreas públicas em diferentes bairros da cidade.
A prefeitura estuda assumir esse serviço de limpeza e, assim, reduzir os custos do contrato milionário. A pressão já começa a dar resultados. No fim de semana passado, funcionários da Solrub limpavam a área da obra inacabada do Centro de Belas Artes, no Bairro Cabreúva (onde inicialmente seria construída rodoviária). Cena que não era vista com frequência.
Permanece, porém, absurdo de termos a administração municipal fazendo o serviço que seria para a empresa privada executar em outros pontos da cidade. Lucro garantido para a Solurb, prejuízo para os campo-grandenses. Neste caso, a revisão deve estender-se às falhas da época da licitação e ainda do reajuste exorbitante concedido dois anos depois.
A revisão feita pela administração municipal abrange ainda exigências concernentes à Águas Guariroba, pois o prefeito já declarou que pretende batalhar para acabar com a tarifa mínima e reduzir o percentual da taxa de esgoto.
Tratam-se de revisões essenciais para eliminar esse descontrole no serviço público, que ocorre há anos. O monitoramento é crucial para garantir mais qualidade e evitar favorecimento às empresas, em detrimento da população.