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Editorial deste domingo: "Mais critério ao incentivar"

Editorial deste domingo: "Mais critério ao incentivar"

Redação

26/02/2017 - 03h00
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É preciso criar mecanismos para aumentar o controle sobre as áreas doadas a indústrias, e protegê-las de operações bancárias de alto risco.

Campo Grande recebeu excelente notícia na última semana. A de que o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico (Codecon) já trabalha na concessão de incentivos fiscais para 17 empresas, que juntas, devem investir pelo menos R$ 800 milhões e gerar 542 novos empregos neste ano e nos próximos.

Também deve ser reconhecido o trabalho da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedesc), que em menos de dois meses, conseguiu melhorar o diálogo com os empreendedores, e implantar critérios mais justos para a concessão de áreas.  Tal iniciativa é fundamental para  reverter os efeitos da crise econômica  na Capital.

O trabalho sério começou a ser feito no Polo Industrial Oeste, onde 41 áreas doadas nos últimos anos, e que não vinham sendo utilizadas, serão retomadas pelo município. A intenção é fazer com elas, o que todos que tem bom senso já esperavam que fosse feito: doá-las aos que pretendem empreender e gerar empregos em Campo Grande.

Nos últimos quatro anos, a indústria em Campo Grande viveu um marasmo, cuja origem não foi somente a crise econômica. A inércia das últimas administrações municipais pesou, e muito.

O trabalho pouco eficiente de Alcides Bernal e Gilmar Olarte fez com que os parques industriais da Capital ficassem esquecidos. Não havia diálogo com os interessados em gerar emprego, nem tampouco interesse em incentivar empreendimentos que gerassem renda para a população local.

Outro problema gravíssimo na política de incentivo que vinha sendo adotada nos últimos anos foi a falta de critério e de controle para conceder créditos às empresas que recebem áreas da prefeitura de Campo Grande. Estes mesmos terrenos podem ser oferecidos em garantia para operações de crédito em bancos públicos e privados.

Emprestar dinheiro para quem quer gerar renda e emprego é um ato nobre, mas não adotar critérios rígidos para evitar ganhos injustos é, no mínimo, ato ingênuo.

É preciso criar mecanismos para aumentar o controle sobre as áreas doadas, e protegê-las de operações bancárias de alto risco.

O poder público e instituições bancárias de fomento podem perder quantias consideráveis de recursos, caso as empresas que não honram empréstimos e oferecem uma área cedida como garantia não honrem seus compromissos. 

Por isso, é novamente oportuno destacar a análise de todos os incentivos concedidos nos últimos quatro anos. Época em que, na prática, muito pouco foi feito, mas que no papel, dezenas de operações foram executadas. Parte 41 dos 143 lotes que devem ser retomados pelo município em breve, integram estes convênios e contratos, no mínimo, duvidosos. 

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