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ARTIGO

Venildo Trevizan: "Fraternidade: biomas"

Frei

Redação

04/03/2017 - 02h00
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O Carnaval já passou. Entramos no tempo da Quaresma. Tempo de assumir os sentimentos e os projetos que garantem uma vida mais voltada para a prática da caridade, do jejum e da oração. Tempo propício para uma revisão alegre e honesta das atitudes e dos comportamentos.

Temos fé. Acreditamos em nós e em algum valor sobrenatural. Nem todos creem em Deus. E Deus não mudará sua maneira de se relacionar com os seres humanos e com as demais criaturas, pois ele conhece cada um e cada uma em suas capacidades e em suas limitações.

Esse tempo da quaresma é também um tempo propício para o povo refletir e se posicionar diante das condições em que se encontra a humanidade. Nos últimos anos, vemos que nossa Mãe Terra está sendo impiedosamente maltratada e explorada para fins comerciais lucrativos.

E a Igreja assume dolorosamente o grito dessa Mãe Terra. Grito de dor, de martírio e de ameaça de morte. A cada ano, propõe uma realidade para ser debatida e assumida no sentido de mudar o jeito de conviver e de sobreviver. Neste ano, apresenta como tema: “Fraternidade: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida”. E o lema: “Cultivar e guardar a criação” (Gen. 2,15).

Cuidar da criação. De modo especial, cuidar dos biomas brasileiros, dom de Deus. Outro compromisso será promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos à luz do Evangelho. Bioma é a vida que se manifesta em um conjunto semelhante de vegetação, água, superfície e animais.

Conforme nos diz a introdução do “Manual da Campanha da Fraternidade” deste ano, “a expressão ‘bioma’ vem de ‘bio’: vida; e ‘oma’, que quer dizer ‘massa’: grupo ou estrutura de vida. Um bioma é formado por todos os seres vivos de uma determinada região, cuja vegetação é similar e contínua, cujo clima é mais ou menos uniforme e cuja formação tem uma história comum” (introdução do “Manual CF. 017”).

A situação em que nos encontramos deverá não apenas preocupar, mas tomar a séria e radical decisão de mudança na maneira de nos relacionarmos com a Mãe Terra e toda a natureza. É um dever sagrado e urgente. Não podemos aguardar. É preciso fazer acontecer. Caso contrário, não teremos água potável, alimentos saudáveis, ar respirável e vida possível.

As ameaças são gritantes. Temos de fazer algo concreto em favor da mãe natureza. Repor aquilo que retiramos. Curar aquilo que ferimos. Ressuscitar aquilo que matamos. Recuperar a vida que eliminamos. A mãe natureza está pedindo socorro. Depende de nós sua sobrevivência. Não temos tempo para lamentar. Precisamos agir. Agir com dignidade.

Assim, poderemos respirar o ar da vida com alegria. Poderemos deixar como herança a honra de ter feito algo de valor em favor da natureza, que é propriedade de Deus colocada ao serviço da humanidade.

Poderá parecer exagero esse grito da mãe natureza. Mas as provas estão aí, à vista de todos. Ou salvamos nossa mãe natureza, ou anteciparemos nosso próprio extermínio. Enquanto é tempo, vamos fazer o melhor possível e teremos motivos de celebrar e louvar o Criador.

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