É imprescindível refletir sobre o Dia Internacional da Mulher. O 8 de março continua simbolizando a luta da mulher por seus mais sagrados direitos, que, por muito tempo, foram sistematicamente negligenciados.
Tenho muita admiração pelo legado de luta das mulheres norte-americanas e de outras nacionalidades, que, na segunda metade do século 19, lideraram ações políticas em defesa das suas mais justas reivindicações. Com destemor e ousadia, elas abriram um caminho novo que está permitindo avanços fundamentais na vida das mulheres.
Vejo que as novas tecnologias e o acesso da mulher à educação formal se converteram em aliados importantes da luta por espaços que, até então, eram reservados aos homens; embora, na maioria dos casos, elas continuem ganhando menos, mesmo realizando trabalho similar, o que significa grave discriminação.
Sou entusiasta do protagonismo da mulher. Elas estão rompendo as amarras criadas pela sociedade patriarcal. Hoje em dia, podemos encontrar mulheres comandando grandes empresas de engenharia, de informática, de construção civil, hospitais, de aviação, bancos, mineradoras, nas Forças Armadas, entre outras atividades estratégicas do mundo globalizado.
As mulheres também ocupam a maioria das vagas das universidades. São responsáveis por 55,1% dos alunos de todo o País e por 58,8% dos universitários que concluem o Ensino Superior. Na pós-graduação, por exemplo, elas representam 53,5% dos mestres do País. Eu fui reitor da Uniderp e vi com enorme satisfação as mulheres ocupando a maioria das vagas em graduação, mestrado e doutorado.
É extremamente positivo o que está acontecendo com as mulheres. Temos que comemorar esse feito; mas, por outro lado, o processo de ascensão delas no plano da política, infelizmente, ainda é lento se comparado com as conquistas no campo profissional e econômico.
O resultado das eleições de 2016 indica que houve retrocesso na representação da mulher no Executivo e no Legislativo. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do total de 448.771 candidatos às eleições municipais de 2016 em todo o País, as mulheres representaram apenas a terça parte (30,702%), ou seja, 137.783.
E o que é pior: dados da Fundação Herbert Daniel, com base nas últimas eleições, indicam que, para cada nove homens eleitos, apenas uma mulher se elegeu prefeita no primeiro turno das eleições de 2016.
A diminuição da representatividade do sexo feminino também se verificou na eleição municipal de Mato Grosso do Sul. Em 2008, por exemplo, foram eleitas 9 prefeitas. Em 2012, tiveram sucesso na eleição para o Executivo 8 mulheres. Em 2016, o número de prefeitas eleitas caiu para 7.
A queda na representatividade feminina indica que algo está errado. Nenhuma nação consegue se desenvolver sem incorporar as mulheres ao processo de geração de riqueza e de decisão política.
Os vários séculos em que a mulher ficou fora da atividade política criaram barreiras concretas que, para o bem da política e dos justos avanços sociais que o mundo demanda, precisam ser removidas urgentemente.
Sou um senador que está ao lado daqueles e daquelas que desejam encontrar um caminho novo e diferente, que permita o empoderamento das mulheres em todas as dimensões da vida humana.
Nessa data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, aproveito para desejar toda sorte do mundo a elas.
Política também é coisa para mulher!