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OPINIÃO

Thiago Cyles da Silva Oliveira: "Previdência e morte..."

Mestre em Letras

Redação

14/03/2017 - 01h00
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Em quase uma década de magistério, presenciei muitas paralisações por motivações salariais. Sempre achei estranho o movimento, pois sempre entendi que esses não eram e não são os únicos problemas que temos. 

Numa matemática esquisita, num parcelamento que mais parece boleto das Casas Bahia, bem ou mal, dizem que o piso salarial está sendo pago. As boas-línguas dizem até que o salário pago por aqui é o mais alto do País. Quando meus últimos níqueis somem antes dos últimos dias no calendário do mês, penso não no quanto eu ganho bem, mas como, no resto do País, os outros docentes ganham mal. Ok. Mas, desta vez, a paralisação prevista para 15 de março não visa que professores defendam o seu pirão primeiro em tempos de farinha pouca. A causa agora é a Reforma da Previdência. A qual não se refere apenas à vida dos professores, e sim a de todos os brasileiros. Tem gente que não entendeu isso, ou finge não entender.

Tem muita gente dizendo nas redes sociais que os professores são malandros, parasitas do emprego público, e deveriam procurar a iniciativa privada. “Perdoai, Senhor, eles não sabem o que fazem!”. Coitados! Mal sabem que boa parte dos professores trabalha tanto nas escolas públicas quanto nas particulares. E que um aluno de escola pública muitas vezes tem a mesma qualidade de aula que tem aquele que paga a mensalidade. Os professores são tão incompetentes, que, se nossos críticos não tivessem tido professores, não saberiam nem mesmo escrever um comentário para nos rechaçar na internet.

Tem governante indo a público dizer que não há motivo para a greve e que ela prejudicará os alunos. Não resta dúvida de que serão prejudicados, mas não serão muito mais quando tiverem professores octogenários, agonizantes, à beira da morte, lecionando a eles? Parece exagero, mas não é. É isso o que a Reforma da Previdência promoverá no futuro. Profissionais doentes trabalhando para que não sejam forçados a se aposentar por invalidez.

No ano passado, multidões foram às ruas gritar “Fora, Dilma”. Cadê esse povo para gritar agora “Fora, reforma”? Direta ou indiretamente, quem se manifestou a favor do impeachment contribuiu para a consolidação do governo que aí está. Mas para onde foi toda essa gente? Será que são todos patrões? Seja de direita, de esquerda, petista, tucano, apartidário, homem, mulher, professor ou qualquer um que trabalhe em qualquer profissão, setor público ou privado, ninguém ficará imune de contribuir por 49 anos ao INSS, se quiser pelo menos ter um enterro digno.

No dia 15 de março, todo mundo que trabalha deveria parar. Ou paremos o trabalho um dia, ou nunca mais vamos parar de trabalhar.

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