Artigos e Opinião

ARTIGO

Venildo Trevizan: "Água viva"

Frei

Redação

18/03/2017 - 02h00
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Imaginemos alguém que tenha vindo de algum mundo desconhecido e tivesse a alegria de deparar-se com o planeta Terra em sua fase original. Contempla as florestas exuberantes de árvores enormes. Umas carregadas de flores e outras carregadas de frutos. Tudo em abundância.

Imaginemos alguém em meio a animais andando à vontade, em meio a pássaros dos mais diversos tamanhos, cores e sons. Tudo em harmonia com a natureza exuberante de flores variadas em perfume e cores, de frutos os mais diversos em tamanhos e sabores. Tudo a serviço da alimentação generosa e gratuita.

Imaginemos encontrar córregos e rios, lagoas e cachoeiras de águas cristalinas e saudáveis. Tudo fruto da generosidade da mãe natureza. Tudo à disposição gratuita para quem desejasse saciar sua sede, sua fome, sua fantasia, seu encanto, sua prece e sua fé.

Mesmo não acreditando em Deus Criador, o ser humano certamente sentiria em seu interior surgirem gestos de gratidão, pela abundância a seu alcance e por poder satisfazer sua curiosidade e suas necessidades vitais.

Bela imaginação! Maravilhoso espetáculo a encantar e a premiar a quem tiver riqueza de fantasia e abundância de imaginação. Bela emoção para quem tiver na lembrança os tempos passados em que algo de natural, de belo e de abundante tenha deliciado o conviver com essa natureza generosa e surpreendente.
O tempo da imaginação passou. O período da emoção definhou. Resta agora a realidade. Nem toda a realidade será de alegria e de contentamento, pois o ser humano passa a conviver com as realidades amargas que ele próprio criou. De administrador dos bens e das riquezas, passa a ser réu de sua própria consciência. E isso para quem ainda está consciente dos abusos e dos crimes praticados contra a mãe natureza.

Precisamos recuperar o que destruímos. Precisamos repor o que roubamos. Precisamos reassumir a missão de cultivar e fazer crescer o respeito pela natureza e, principalmente, para Deus, o Criador dessa natureza.
Precisamos reavivar nossas águas se quisermos ter vida saudável e segura. Precisamos rever e reforçar nossa fé no Deus da vida, no Deus do amor e no Deus da esperança. Sem ele, a humanidade não terá a necessária segurança, nem garantia de sobrevivência.

Toda a violência é consequência da não crença e não aceitação de Deus. Toda a ganância surge em decorrência da falta de fé em Deus e do apego insaciável aos bens materiais. Todo o egoísmo se desenvolve em mentes poluídas pelo uso indevido dos bens materiais e espirituais.

A humanidade continuará bebendo águas poluídas do ódio e do rancor enquanto não descobrir as águas vivas do amor, do perdão e da comunhão sincera e íntima com Deus.

A humanidade continuará guardando apenas na lembrança os tempos de fartura e de harmonia saudável entre o ser humano e o ser animal, entre o ser humano e o ser vegetal. E hoje, lastimavelmente, teremos de conviver e nos defender dos venenos que impedem expandir a alegria de pessoas livres e libertadoras.

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