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OPINIÃO

Octavio Luiz Franco: "Uma nova maneira de brilhar"

Coordenador do S-Inova Biotech, professor do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Católica Dom Bosco

Redação

23/03/2017 - 01h00
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Em um mundo onde a ciência está sempre atenta a combater doenças incuráveis e a resolver problemas insolúveis, às vezes, simplesmente nos esquecemos de que pesquisa básica pode simplesmente saciar o maior motivador de um pesquisador: a curiosidade científica. Como crianças buscando respostas a enigmas insolúveis, alguns cientistas tentam entender vários processos biológicos que misteriosamente são simplesmente enigmáticos ou inexplicáveis.

Um deles consiste nos animais fluorescentes. A capacidade de absorver luz em comprimentos de onda curtos e reemiti-la em comprimentos de onda mais longos pode ser chamada de fluorescência. Esta propriedade pode ser vista em vários animais, mas é extremamente rara em animais terrestres. Vale ressaltar que a fluorescência requer a absorção da luz, não ocorrendo na completa escuridão. Isso diferencia completamente a fluorescência da bioluminescência, na qual organismos produzem luz própria gerada por reações químicas. Embora incomuns, existem inúmeros casos de animais bioluminescentes, como lulas, águas-vivas, vaga-lumes e escorpiões. 

Por outro lado, a fluorescência também pode ocorrer em muitas criaturas do oceano, incluindo peixes, tartarugas e corais. Entre os animais terrestres, a fluorescência foi detectada apenas em papagaios e também em alguns poucos escorpiões. Ainda é incerta a clara razão destes animais apresentarem esta luminosa capacidade, embora as aclarações incluam possível comunicação, camuflagem e atração sexual. 

Nesta semana, a prestigiosa revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences destacou a rã arborícola sul-americana (Hypsiboas punctatus) que ostenta a maravilhosa capacidade de mudar a cor de pele para diferentes tons de verde, amarelo e vermelho. Entretanto, após desligar as luzes e colocá-la na completa escuridão, ela emite, ao ser banhada por iluminação ultravioleta, uma luminosidade azul e verde brilhante. Esta é a primeira vez que se observa um anfíbio fluorescente, sendo este efeito causado por moléculas especiais produzidas em sua pele. 

Inicialmente, os pesquisadores argentinos coordenados pelo Dr. Carlos Taborda, da Universidade de Buenos Aires, esperavam encontrar um pigmento conhecido como biliverdina, que normalmente torna os tecidos e ossos das rás e sapos verdes. Surpreendentemente, quando a equipe usou uma lanterna de luz negra sobre o animal, um intenso brilho azul-esverdeado apareceu, em vez do natural vermelho fraco observado em outros anfíbios. Após intenso estudo, três moléculas conhecidas como hyloinas foram detectadas em tecido linfático, cutâneos e secreções glandulares. As moléculas apresentam uma estrutura anelar e uma cadeia de hidrocarbonetos, sendo as únicas moléculas fluorescentes de anfíbios descobertas até o momento. As hyloinas emitem uma fantástica quantidade de luz, proporcionando cerca de 18% de luz visível usando a iluminação de uma Lua cheia. 

Imagina-se que seja o suficiente para uma espécie de rã ser capaz de identificar outra da mesma espécie, sugerindo um potente mecanismo de comunicação. Este mecanismo agrega um maior conhecimento e abre novas portas ao entendimento da ecologia comportamental. Alguns animais cantam, outros mostram suas penas e alguns simplesmente brilham de uma forma surpreendente. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

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