Na antiga tradição religiosa, a cegueira e qualquer outra deficiência, ou doença, seriam vistas como consequência do pecado. Na sua concepção, tudo seria castigo por causa do pecado. Tudo girava em torno da graça e do pecado, de Deus e do demônio. O caminho para chegar a Deus exigia um longo e difícil processo de purificação e de limpeza espiritual.
E a natureza humana permaneceria definitivamente manchada pelas impurezas surgidas e pelo fato de as pessoas não conseguirem se purificar suficientemente para pertencerem ao povo eleito. As trevas continuariam impedindo a visão da realidade religiosa que traria a satisfação de se ver livre do mal e agraciado pelo bem, voltando novamente a Deus.
Essa realidade, em certos casos, desafiaria a fé e a esperança de muitas pessoas. Pessoas que se julgam condenadas não apenas pela sociedade, mas principalmente por Deus. Pelo fato de terem alguma deficiência física ou mental, passariam a temer outros males ou outras dificuldades que seriam castigos de Deus. Mas o pior mal não estaria nessas deficiências. Estaria naquelas pessoas que não têm sensibilidade com as outras. Precisariam converter-se da dureza do coração e da mente. Precisariam ajudar a redescobrir o caminho da alegria e da paz do espírito.
Não poderiam permanecer com atitudes de distanciamento das pessoas que não possuíssem os dons necessários para uma vida saudável. E nem das pessoas com alguma deficiência. Isso significaria permanecer nas trevas da ignorância e da maldade.
O bem e o belo se manifestam nas atitudes de amar, acolher e incentivar a acreditar na vida, mesmo com suas limitações, pois ninguém poderá se considerar perfeito, ou imperfeito. Todos temos nossos limites. E será dentro deles que construiremos nossa felicidade plena.
Creio na vida. Creio no amor. Creio na paz de espírito. Creio na alegria de poder pensar as coisas boas, de sonhar as maravilhas e de programar atividades criativas e salvadoras. Creio na grandeza e na sublimidade do espírito. Creio no Deus Criador e Salvador. Creio no ser humano que se diviniza na medida em que aceita suas limitações e confia na proteção divina.
Creio na luz da bondade e da sabedoria que vem eliminar as trevas do comodismo e do medo. Creio na alegria de olhar as pessoas com suas deficiências confiando na força do amor, no poder da fé alimentando a esperança de tudo superar e de tudo vencer.
E a vitória acontecerá toda vez que produzir frutos de bondade, de justiça e de verdade. Esses frutos alegram o coração de quem os produz e fortalecem a esperança de quem os recebe, pois são frutos de seres humanos conscientes de serem agraciados pela luz divina.
Fazem-se luzeiros a fim de que os que se encontrarem nas trevas se vejam incentivados a também se tornarem luzeiros do bem e do amor, da alegria e da paz.
E a vida se tornará saudável e meiga, pois em tudo o que acontecer a pessoa saberá colocar a simplicidade no agir, a delicadeza no conviver e a esperança no sofrer.