A legislação municipal seria de grande auxílio, um dispositivo a mais para reforçar a segurança de combate a incêndios
O estudo da história nos ensina como chegamos até aqui e, ainda, como evitar repetir erros com consequências danosas. Infelizmente, as medidas de segurança e regulatórias somente são tomadas após eventos trágicos. Por isso, é extremamente preocupante a resistência da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande em, pelo menos, considerar o projeto de lei do vereador Chiquinho Telles que determina uso de sprinklers nas edificações.
A proposta ainda será debatida na Câmara de Vereadores, mas caso aprovada, é dispositivo para reforçar medidas de combate a incêndio na Capital, em edificações cobertas com mais de 750 m² e altura superior a 12 metros, assim como em depósitos de líquidos inflamáveis ou combustíveis com área a partir de 500 m². O principal argumento é que já existe legislação estadual sobre o tema e a lei municipal seria desnecessária. Em reunião com o vereador, o presidente da associação, João Carlos Polidoro, enfatizou ainda o prejuízo econômico com mais essa obrigatoriedade. Recorreu aos fatídicos números negativos, com fechamento de cerca de 200 estabelecimentos comerciais na região central de Campo Grande. “Na crise que estamos vivendo, exigir uma instalação desse tipo só vai prejudicar ainda mais o comércio”, disse.
É temerário recorrer a cifras quando o assunto é segurança da população. Soa insensível diante de vários exemplos em que a falta de zelo e o desrespeito às leis são responsáveis por grandes tragédias. Em 1974, incêndio chocou o país, em São Paulo, no Edifício Joelma, com 187 mortos. Em 2011, aqui em Campo Grande, duas pessoas morreram intoxicadas por fumaça, por conta do fogo no Edifício Leonardo da Vinci. Infelizmente, o tempo que sana os males é o mesmo que apaga da memória fatos que não poderiam ser relegados a segundo plano. Falta de fiscalização e irresponsabilidade foram responsáveis por mais uma calamidade na história recente do Brasil: incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS) ocorrido no dia 27 de janeiro de 2013. Em local inadequado e sem dispositivos de segurança necessários, morreram 242 pessoas, a maioria, jovens universitários. Outras 680 ficaram feridas e muitas ainda convivem com as sequelas físicas e psicológicas do trauma enfrentado.
Então, porque a resistência na aprovação de lei municipal? Essa relutância é sinal de que a população não tem a segurança que imagina ter ao frequentar prédios e estabelcimentos comerciais. A legislação municipal seria de grande auxílio, um dispositivo a mais para reforçar a segurança de combate a incêndios. Além disso, o empecilho econômico colocado pela Associação Comercial nos faz temer que nem todos respeitam as normas já impostas. Essas normas não são criadas com objetivo de aumentar custos e, sim, evitar problemas futuros. É preciso, então, reforçar a fiscalização para que Campo Grande não entre na indesejável lista de cidades protagonistas de incidentes irreversíveis, decorrentes da mesquinharia e desrespeito às leis.