Produtos adulterados, aposentadorias e eleições fraudadas, elisão e sonegação fiscal, desoneração de impostos, cobranças ilegais, prisões midiáticas, comportamentos e atitudes antiéticas, uma plêiade de acusações e desinformações sobre a corrupção própria de um sistema falido que incessantemente busca como solução equivocada a desregulamentação e a submissão (terceirização) às leis do mercado (neoliberal), que compete entre si em detrimento das normas sociais, na obtenção de lucro desmedido, sendo capaz de todas as vilanias compreendidas no código das trevas.
Ao passar as obrigações do estado para a iniciativa privada, justificando que a fiscalização estatal é falha, desestruturada e desaparelhada, corrupta, e que o funcionalismo público é despreparado, desqualificado, e desnecessário, porque alguns, como em qualquer classe profissional, fugiram dos objetivos republicanos em benefício próprio, estaremos dando asas às cobras!
Somos diariamente bombardeados com mentiras, mitos, boatarias, zunzum, e lendas, e sem um filtro apropriado ou desconhecendo a origem dessas práticas e a quem interessa a difusão do pânico, da tensão, do medo, e da desestabilização, pois ficamos órfãos, sem proteção desacreditando nas instituições e pessoas, e na busca de soluções replicamos aos nossos iguais, que nada tem a nos dar, exceção feita a de aumentar o assombro.
Quem nunca ouviu sobre as minhocas em hambúrgueres (ou extrato de canabis para realçar o sabor), pescoço de frango nos nugetts e batatas fritas transgênicas nos fast-foods? Quem se lembra do funcionário enfartado dentro do tanque de estocagem de refrigerante famoso? E que o dizer do leite batizado com soda, formol, ureia e bicarbonato desde 2009 até recentemente?
E a salsicha então, nem se fala para quem viu o filme “Os Assassinos” (Don Siegel-1964) com Lee Marvin, cuja fabricação hoje se suspeita apenas de restos de comida, de carne de cavalo ou mesmo de papelão! Caldo de cana e açaí com insetos, tapioca e farinhas com pelos, e resíduos com níveis reprováveis e inapropriados são apenas o fio em que somos obrigados a nos equilibrar.
Iogurte com bactérias presente em fezes humanas, corantes resultante de insetos, gelatinas de pele de porco, goma de mascar sintetizada a partir do petróleo, trigo e soja transgênicos, chocolate com traças, drogas com caulim, gesso e cimento, remédios sem eficácia, são apenas boatos, verdades ou riscos a que estamos sujeitos;
Ao ouvirmos o galo cantar, antes de sabermos onde ele está é preciso descobrir se é um galo mesmo!
Será que as hortaliças orgânicas são de fato orgânicas, ou aquele selo premiado do café reflete sua qualidade, que o azeite puro e virgem não foi violentado pelo óleo de soja, que o atum não é sardinha clonada, se a gasolina batizada com aditivos é própria. Será que as declarações dos rótulos correspondem a verdade? E os prazos de validade são respeitados? As concessionarias de agua e luz cobram valores justos? Não vamos falar dos suplementos alimentares e as vitaminas registradas por não serem considerados remédios.
Quem se lembra das dificuldades comerciais enfrentadas na exportação do café, da laranja, dos aviões, do álcool combustível? Estranho é que os exportadores reclamam apenas das dificuldades nacionais (taxa de câmbio, financiamentos, burocracia e infraestrutura) e não das barreiras alfandegárias, técnicas, fitossanitárias, na inadequação dos produtos ou da taxação ilegal no destino que são armas utilizadas para brecar nossa economia e os boatos levando à retração.
A carne não é fraca e sim nós mesmos que dependemos de alguém para nos dizer que outrem está atuando honestamente no mercado. A fiscalização é necessária à medida que existem desvios éticos nas negociações, nas atividades econômicas e sociais, nas políticas, e na vida em sociedade.
A reflexão dos acontecimentos atuais é um exercício para a memória e para que não fiquemos à mercê do Alzheimer que a própria sociedade quer se impor ao ouvir formadores de opinião comprometidos com o sistema, lembrando que o excesso de carne vermelha é prejudicial à cognição e a memória como dizem as pesquisas.