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ARTIGO

Venildo Trevizam: "Páscoa do Senhor"

Frei

Redação

08/04/2017 - 02h00
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Para a sociedade essa semana é especial. Proporciona um feriado prolongado favorecendo, viagens de turismo e outras atrações como a tradicional bacalhoada na sexta feira e chocolates. Mas para o povo cristão é tempo de reflexão mais profunda sobre a razão de sua fé e o fundamento de sua crença. 

Uma semana chamada santa por celebrar os acontecimentos mais marcantes da pessoa de Jesus Cristo que, sendo Filho de Deus, se fez homem e veio participar da humanidade e garantir a felicidade tão sonhada e recompensar todos os gestos e atitudes vividos e participados entre irmãos da mesma família humana e cristã.

Cada qual aparentemente se sente livre em interpretar e assumir iniciativas que lhe garantam um certo prazer e satisfação de seus anseios. Mas olhando detalhadamente a realidade teremos que convir que o ser humano infelizmente não goza mais da liberdade pessoal. Mesmo porque as redes sociais têm hoje o poder e a força de manipular seus sentimentos e seus anseios.

Praticamente o comportamento individual passou a depender de quem elabora virtualmente comportamentos e atitudes, ideias e sensações. A liberdade se torna ilusão. Julga estar livre, mas depende de um mecanismo eletrônico. Julga ser alguém pensante, mas é apenas um dependente da tecnologia.

A razão cedeu lugar ao sentimento. O relacionamento afetivo cedeu lugar a certos impulsos que podem ser de euforia ou de aborrecimento, de convivência ou de isolamento, de grandeza ou de exclusão. Isso irá determinando atitudes e comportamentos. Serão essas atitudes que irão determinando o rumo a tomar, o ideal a seguir, se é que existam ideais seguros.

Os jovens são os mais vulneráveis nesse mundo virtual. Como se torna dispensável o raciocínio, partem para o emocional. E quem trabalha essa nova maneira  de comunicar e de se relacionar sabe da vulnerabilidade e então oferece estímulos diversos para se manter indiferente perante as propostas que o bom senso tem a oferecer.

Preferem navegar do que remar. Preferem sonhar do que pensar. Preferem o prazer em lugar do dever. Acabam desestruturando sua personalidade e seu caráter. E o isolamento numa das redes sociais será o lenitivo de suas mágoas e de seus desentendimentos com a sociedade.

Especialmente se não houver um princípio de fé em algum valor sobrenatural acontecerá um vazio profundo em seu viver. Se não houver uma formação mais sólida nos princípios cristãos sobrará motivo para desprezar tudo quanto se relacione com o espiritual ou com o religioso. O indiferentismo tomará conta das suas atitudes.

Estamos em falta com a ética e com a fé cristã. É preciso que aconteça uma nova páscoa, uma nova passagem corajosa e forte desse indiferentismo para um assumir humilde de atitudes coerentes com a fé em Jesus Cristo.

Será preciso morrer para o egoísmo e nascer para o amor. Será preciso desfazer-se do orgulho e vestir o manto da humildade. Será preciso sair do isolamento e celebrar a alegria da Páscoa do Senhor e da solidariedade humana.

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