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Confira o editorial desta quarta-feira: "Desleixo evidente"

Confira o editorial desta quarta-feira: "Desleixo evidente"

Redação

26/04/2017 - 03h00
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Para um problema coletivo encontrou-se uma solução que acaba beneficiando apenas particulares e não resolve a dificuldade.

Marcada por polêmicas desde o fim do ano passado, a destinação de entulhos continua sendo motivo de reclamações em Campo Grande. Basta percorrer as saídas da cidade para perceber a quantidade de materiais descartados de forma indevida, em terrenos ou até às margens de rodovias ou avenidas.

A irresponsabilidade da população reflete também descaso da prefeitura, que ainda não disponibilizou área pública para que toda a população possa destinar os materiais inservíveis. Assim, temos cenas lamentáveis e que destroem a aparência da cidade: sofás que servem  até como sinalização para buracos, aparelhos de televisão ou restos de construção  em terrenos abandonados e por aí vai.

Hoje, há moradores que já se deslocam de casa até as saídas da cidade para “destinar” o entulho. Atitude incorreta e que, se flagrada, pode render até multa. Infelizmente, a displicência é geral. A punição não ocorre e o cidadão fica sem saber o que fazer com aquele material que sobrou da obra que fez em casa ou com aquele móvel velho que não pode mais ser reaproveitado. Uma das únicas alternativas é contratar uma caçamba, mas também há restrição em relação ao que pode ser descartado nelas. Se a pessoa decidir economizar e ela mesma  levar o entulho na carroceria da caminhonete certamente terá dificuldades, inclusive em relação às regras para transporte.

Resumindo, para um problema coletivo encontrou-se uma solução que acaba beneficiando apenas particulares e não resolve a dificuldade da maioria. Fica evidente que o poder público está descumprindo suas atribuições. Atualmente, existem apenas duas áreas particulares para descarte de entulhos, mas apenas os donos de caçambas podem utilizá-las. Como essa destinação é cobrada, a consequência direta foi aumento do preço para quem alugar a caçamba. Essa foi a saída encontrada desde que o aterro do Jardim Noroeste foi fechado por decisão judicial, em dezembro do ano passado, depois de muito protesto e confusão. A real alternativa para a população continua sendo protelada.

Além do desgaste à imagem da cidade, essa destinação indevida de entulho configura grave ameaça à saúde pública e ao meio ambiente. Objetos acabam acumulando água e favorecendo a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Ainda, há o prejuízo econômico. O poder público gasta mais para limpar as áreas e nem dá conta de tantas demandas. Há possibilidade de tentar obter soluções sem grandes investimentos. Discutir com donos de areeiros desativados ou assegurar fiscalização em áreas públicas em locais mais afastados da área urbana, que não estão sendo utilizados, são algumas das hipóteses.

Não há como protelar ainda mais providências para tema que interfere diariamente no cotidiano de todos os campo-grandenses. Ao menos, a prefeitura informou que iniciou os estudos para resolver algumas dessas pendências. Falta informação e organização. Trata-se de demandas negligenciadas há anos, contexto que dificulta a cobrança de responsabilidade e as punições. 
 

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