Em Mato Grosso do Sul, os partidos tentam elaborar estratégias para driblar as consequências nefastas do maior escândalo de corrupção já visto no País
Passada a overdose de feriados, o Brasil volta ao ritmo “normal”, uma delas, como tornou-se corriqueiro, a expectativa de novas delações e as implicações que essas acusações podem fazer na esfera política. Iniciada em 2014, a Operação Lava Jato mantém o efeito devastador, com novos capítulos que ainda vão reverberar, principalmente, na próxima campanha eleitoral. Em Mato Grosso do Sul, os partidos tentam elaborar estratégias para driblar as consequências nefastas do maior escândalo de corrupção já visto no País.
No Estado, a posição um pouco mais confortável é do PSDB, com aprovação elevada do governador de MS, Reinaldo Azambuja, conforme publicado pelo Correio do Estado: 70% dos entrevistados consideram sua administração boa ou ótima. Esse resultado abalou a confiança do PMDB, que também sofreu revés com a suspeita de envolvimento do maior nome da legenda, o ex-governador André Puccinelli, com um dos beneficiados do esquema de caixa 2 da Odebrecht: R$ 2,34 milhões como “auxílio de campanha” em 2010. Antes dessa divulgação, em abril, Puccinelli era tido como nome praticamente certo na disputa, embora, oficialmente, ainda não tivesse se manifestado. Optou por fazer trabalho de campo, com viagens pelo interior. Agora, depois de citado pelo ex-executivo da Odebrecht João Antônio Pacífico recolheu-se e observa os desdobramentos.
O PT, há muito, deixou de existir em Mato Grosso do Sul. Na linha de frente dos escândalos políticos, a legenda definhou no Estado e, agora, não há nome que possa fazer frente nas eleições do próximo ano. A “estrela maior”, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, também aparece nas citações de delatores e enfrenta batalha judicial para reformar condenação por improbidade administrativa, punição que o deixou inelegível por oito anos. Os que sobraram no partido não tem força suficiente para enfrentar qualquer adversário. Curiosamente, no cenário nacional, o presidente de honra, Luiz Inácio Lula da Silva aparece como favorito na pesquisa do Datafolha, com 30% das intenções de voto. O porcentual é tímido em se tratando de demonstrativo irrefutável de vitória; reflete , na verdade, o fiel eleitorado petista, cego às devastadoras provas que comprometem a legenda. Em segundo lugar, aparece o controverso Jair Bolsonaro (PSC-RJ), uma tendência conservadora e questionável.
Ainda é cedo para traçar panoramas definitivos, mas é imprescindível o planejamento. Com os desdobramentos da Lava Jato, é impossível o eleitorado se esquecer dos nomes envolvidos e aqueles que tem muito a explicar. Uma das tendências mais prováveis é o surgimento de novos nomes no cenário político, pessoas sem comprometimento ou qualquer ligação com os escândalos de corrupção. A renovação se faz necessária e os partidos devem adaptar-se aos novos tempos. A expectativa para 2018 é de um eleitor mais cuidadoso e muito criterioso com suas escolhas. No fim, é preciso tirar algo de benéfico depois de tanta frustração e decepção com a classe política.