Hoje, dia 8 de maio de 2017, faz setenta e dois anos do final da 2ª Guerra Mundial, a qual ceifou a vida de mais de cinquenta milhões de vítimas.
O Brasil foi atacado à traição por submarinos alemães e italianos, os quais assassinaram em alto-mar milhares de brasileiros inocentes, ao torpedearem 23 navios mercantes brasileiros, razão pela qual o Brasil enviou para o front a Força Expedicionária Brasileira, com um contingente superior a 25 mil soldados, que escreveram a sangue páginas heroicas nos campos nevados dos Apeninos, na Itália.
Ainda menino, vi na estação da Noroeste do Brasil os pracinhas de Campo Grande seguirem para a guerra cantando canções de louvor ao Brasil! Foram momentos de grande consternação popular, pois aqueles jovens, em pleno vigor da juventude, seguiam a um rumo incógnito, sem certeza de retorno a seus lares.
Mães e esposas choravam aflitas, e rezavam pela volta de seus entes queridos, enquanto a soldadesca embarcada acenava das janelas do trem, e gritava slogans patrióticos.
A FEB não tinha apenas a incumbência de ajudar os países aliados a combaterem os alemães nazistas e os italianos fascistas. Tinha, sobretudo, a honra de lutar em desagravo à memória de milhares de brasileiros vitimados pelos torpedos traiçoeiros dos submarinos ocultos sob as águas do mar, os quais afundavam navios desarmados, e matavam seus passageiros indefesos: crianças, mulheres e velhos!
Finda a guerra, a volta dos nossos heróis foi de alegria para uns e amargura para outros. Na plataforma da estação ferroviária os pracinhas desciam dos vagões ante a saudação frenética da multidão.
Os familiares aguardavam ansiosos o filho descer à plataforma, e, ao identificá-lo, corriam a seu encontro, numa comovente recepção. Algumas famílias não tiveram a mesma sorte. Aguardavam até o último pracinha descer do trem, mas não tiveram a felicidade de abraçar seu ente amado. Neste triste momento não escondiam o desespero, e choravam copiosamente. Era de cortar o coração!
O tempo passou. Caminhando a pé pela Avenida Afonso Pena, como gosto de fazer nos fins de semana, observo como é bela aquela artéria arborizada com primor!
Nos seus mais de cinco quilômetros de extensão, destacam-se as ingazeiras centenárias, e os caprichosos canteiros de flores, que emprestam à cidade um belo cartão-postal.
Descubro, num dos canteiros centrais da grande avenida, uma pequena coluna de concreto, erguida sobre um pedestal de mármore e pintada de verde e amarelo. Vejo que se trata de uma modesta homenagem aos pracinhas conterrâneos, pois, numa placa de metal ali anexada, consta a seguinte inscrição:
“AOS BRAVOS FILHOS DO MATO GROSSO DO SUL HEROICAMENTE TOMBADOS NO TEATRO DE OPERAÇÕES DA ITÁLIA DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - ANVFEB DE PERNAMBUCO”.
Em seguida, a relação do nome de cada soldado sul-mato-grossense morto em combate, e a respectiva data da morte: SD ALCEBÍADES BODADILHA DA CUNHA, 07/11/44; SD BERNARDINO DA SILVA, 22/04/45; SD GREGÓRIO VILALVA, 22/11/44; SD HUGO GONÇALVES, 22/12/44; SD JOÃO MARIA DA SILVEIRA MARQUES, 22/11/44; SD SEBASTIÃO RIBEIRO, 31/10/44; SD SEMEÃO FERNANDES, 14/10/44; SD TEODORO SATIVA, 02/05/45; SD TOMÁS MACHADO, 25/04/45; e SD WALDEMAR MARCELINO DOS SANTOS, 01/11/44.
É para mim um momento de grande emoção, por tão singela homenagem a um punhado de conterrâneos nossos, que não fugiram ao dever de defender a Pátria ultrajada.
Jovens que morreram no alvorecer da vida em desagravo à honra nacional ofendida, mostrando ao mundo o valor do homem brasileiro - uma humilde lápide dedicada a uma dezena de bravos jovens brasileiros, filhos do Mato Grosso do Sul, exposta ali na movimentada avenida, desapercebida por milhares de pessoas que passam pelo local diariamente – uma irreverência imperdoável de seus compatriotas!