Espera-se que, nas próximas agendas, os benefícios possam ser ampliados, gerando investimentos que se aproximem da alta carga tributária paga por todos.
Até bem pouco tempo, a vinda de ministros a Mato Grosso do Sul era encarada como algo festivo para lançamento de investimentos ou tinha propósito bem definido diante de alguma situação emergencial.
Recentemente, temos acompanhado a presença dessas “autoridades” apenas para participar de solenidades, para lançar programas que já estavam previstos ou para falar de projetos futuros, sem qualquer prazo para sair do papel.
Sabe-se da importância do trabalho integrado do governo federal com todas as unidades da federação, conhecendo suas peculiaridades para atender às demandas. Mas esse trabalho exige bem mais que a simples participação em agenda, que leva alguns minutos e acaba onerando os cofres públicos com os custos de deslocamento.
Obviamente, a recessão econômica limitou os lançamentos e as liberações de verbas. E, justamente, a “bagagem tímida” de anúncios trazida nessas viagens nos leva à reflexão se, de fato, seria oportuno mantê-las.
Ontem mesmo, Campo Grande recepcionou dois ministros. O de Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, veio lançar o Programa Criança Feliz, iniciativa que visa acompanhar crianças que fazem parte de programas assistenciais, contemplando visitas domiciliares para verificar e atender às principais necessidades.
Ação social de extrema importância, mas que precisa ser desenvolvida rotineiramente. Ou seja, há pouco efeito prático da prestigiada visita ministerial. A iniciativa, certamente, vai esbarrar nas deficiências de serviços básicos da rede pública de saúde e educação, algo que precisa ser preocupação constante do governo.
Também esteve na capital sul-mato-grossense o titular da pasta de Esporte, Leonardo Picciani, para acompanhar seminário em que foi debatida a criação do sistema municipal de esporte e lazer. Há, neste caso, pelo menos a sinalização positiva para liberação de R$ 6 milhões a fim da revitalização de parques públicos, com base em projetos que já estão sendo analisados pela equipe técnica do Ministério dos Esportes.
Infelizmente, ele ainda não pôde trazer a boa notícia durante visita a Campo Grande e o investimento segue pendente.
Ainda, no fim de abril, o ministro da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, veio a Campo Grande para falar do lançamento de satélite que vai dobrar a oferta de internet banda larga no País. Na data, destacou o potencial para investimentos na cidade.
Da mesma forma, diversas vezes, ministros da Defesa já estiveram em Dourados para apresentar a estrangeiros e, até mesmo, conhecer as instalações do Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (Sisfron). Nada que impactasse em melhorias à vigilância suficientes para barrar a entrada de drogas e armas no Brasil, vindas principalmente do Paraguai e da Bolívia.
Mais do que passeios ou visitas de cortesia, os sul-mato-grossenses esperam investimentos reais, algo que dependerá de amplo esforço para sair da crise financeira. Espera-se que, nas próximas agendas, os benefícios possam ser ampliados, gerando investimentos que, ao menos, aproximem-se da alta carga tributária paga por todos. Serão ainda mais bem-vindos!