Convido o leitor a um minuto de reflexão, para que de olhos fechados busque na memória a figura materna; mãe substantivo comum, mãe uma palavra para designar quem dá a luz, quem educa.
Por que será que nós sabemos que vai além disso? Por que nós sabemos que transcende as definições? Busquemos na memória nossas razões.
Mas o que afinal é uma mãe? Antes de tudo, um ser humano, com todas as suas fragilidades e tudo o que lhe é inerente, assim, minha mãe, sua mãe, já foi a criança que teve seu primeiro dia de aula, seu tombo na rua, o primeiro amor e o amor não correspondido, medos bobos e outros nem tanto.
Convido o leitor a buscar na memória cada traço do rosto de sua mãe, cada marca que o tempo ali colocou, cada sinal que o tempo trouxe e, em meio a tudo isso, observar os cabelos cuidados ou não, os lábios pintados ou não, nesse rosto há uma mulher, habita uma menina que não morreu, a alma doce que espera o abraço.
Embora possa parecer que não, o toque suave de suas mãos pode buscar na memória dessa menina o dia em que você chegou, o dia em que você foi embalado pela primeira vez; mas, se o tempo e a indiferença se encarregaram da distância, se um dia sua mãe se foi e parece não se importar; acredite, sua mãe partiu de si mesma, não há quem dê à luz, quem deixe nascer e não tenha ciência; perdoe o humano, o que parece difícil de se entender, perdoe a quem foi se desintegrando aqui e ali, partindo de si mesma, guarde para si e conte sempre com ternura a história de quem deixou por um instante o amor falar mais alto e a vida prevalecer.
Pensando assim, entendemos que aquela que tanto amamos, seja ela a mamãe jovem ou jovial, a mamãe já velhinha sentada na cadeira, a mamãe séria ou sorridente, despojada ou vaidosa, é um ser humano, tem uma história, sente raiva, sente tristeza, nos protege por amor, nos empurra pra vida por amor, fala sério conosco coisas que não queria falar e depois vai chorar escondida, pois entende que mãe não é substantivo, mãe é, sim, verbo, conjugação mais linda do verbo amar.
Perdoe leitor um texto sobre mãe, assim carregado de poesia, mas existe outra forma de falar de mãe? Eu desconheço. Minha mãe já partiu, deixando a saudade mais feliz e linda.
Hoje, a mamãe sou eu e eu não conheço outra forma de falar sobre a maternidade que não seja por meio da gratidão, pelo fato de ter nascido.
Ela um dia escolheu você, disse sim à vida, o que veio depois, se foi doce ou não, faz parte da aula, do aprendizado, da aceitação e do perdão.
Neste mês pensemos juntos na fragilidade humana, na força do amor que o mundo tanto precisa, na garra de quem nos gerou, na bênção da mão que se estendeu nos amparando, que enxugou nossa lágrima mais boba e nos deu os conselhos mais sábios, mãe-vó, mãe-tia, mãe que não gerou no ventre, mas no coração, simplesmente mãe, tente definir a sua.