O desgaste na política, infelizmente, faz com que os brasileiros percam a chance de quadros realmente qualificados para buscar a reconstrução do País.
O discurso de renovação na política tem ganhado força com as incontáveis denúncias de esquemas de corrupção envolvendo integrantes dos mais diferentes partidos. A ideia propagada é bastante simplória e objetiva: se não está dando certo com esses que estão no poder, é preciso substitui-los, tirar de cena os envolvidos em escândalos, ainda que as investigações estejam em andamento e haja tempo de apresentar defesa. Até mesmo o distanciamento com o mundo político e com as atuais lideranças partidas é incluído como atributo para essa mudança. Essa teoria, porém, precisa ser analisada com cautela, devidamente corrigida e ter seu contexto ampliado. Na verdade, a crise atual precisa abrir espaço para uma nova geração realmente engajada com a ética, a prestação de serviços públicos e a honestidade.
A ausência de lideranças é sentida em todo o Brasil, mas Mato Grosso do Sul enfrenta de forma intensa esse vazio, como demonstra reportagem publicada na edição de hoje, detalhando o “buraco negro” das operações Lava Jato e Lama Asfáltica. A metáfora, emprestada da Teoria da Relatividade e sem contemplar toda sua complexidade, fala da região do espaço da qual nada pode escapar, em que tempo e espaço deixam de existir. Representa assim a dimensão das investigações e a consequente falta de rumo dos partidos, principalmente PMDB e PT, que tiveram os nomes de seus principais líderes envolvidos em graves denúncias acerca dos esquemas de corrupção.
A eleição de 2018 permanece como incógnita. O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) mantém alto índice de aprovação e até se fortaleceu politicamente com a nova investida da Lama Asfáltica contra o ex-governador André Puccinelli, mesmo que este não fosse seu adversário direto na próxima disputa. Ainda não é possível conhecer aqueles que vão o enfrentar nas urnas. Esse cenário deindefinição reflete o que ocorre em grande parte do País. Como já alertado recentemente, a crise política deixa margem para perigos, tanto com propostas inexequíveis exortadas pelo sentimento de propor renovação ou até mesmo pelo radicalismo, com propostas de extrema direita ou esquerda, apresentando a suposta salvação que o País tanto precisa. Outro engano.
O desgaste na política, infelizmente, faz com que os brasileiros percam a chance de quadros realmente qualificados para buscar a reconstrução do País. Empresários bem-sucedidos já consideram que não compensa largar seus negócios para ingressar num mundo que ficou marcado pela perversão e pelas negociatas. Temem pela sua reputação, pelas consequências financeiras a seus patrimônios e, até mesmo, pelo imenso desgaste para romper o sistema de acordos ilegais. Por isso, o desafio tem se tornado maior.
Em meio à recessão econômica e aos sucessivos escândalos de corrupção, o sentimento de patriotismo precisará prevalecer para alcançar o engajamento das reais lideranças, que terão condições reais de fazer uma boa gestão, com metas exequíveis e planejamento. Caso contrário, a mudança real, aguardada por todos, jamais vai se concretizar. Permanecerão os discursos sem rumo e acéfalos em sua essência.