As ocorrências de colisões de veículos de todos os tipos nas ruas e avenidas da Capital viraram rotina, acrescentando que, aos finais de semana, as incidências assumem proporções inimagináveis, e, quase sempre causando vítimas com perdas de vidas ou mutilações, sem contar os danos materiais que afetam as condições econômicas dos envolvidos. Cabe ressaltar que, com o aumento contínuo da frota de veículos em circulação, as ocorrências assumiram um crescimento preocupante.
Haveria solução para essa situação epidêmica que assola o nosso trânsito e que dia a dia vem fazendo maior número de vítimas? O que não se pode aceitar é que esses acidentes se transformem em dados estatísticos a serem publicados sob forma de um balancete mensal; algo necessita ser feito pelas autoridades competentes, além da fábrica de multas por estacionamento irregular. Quarenta anos já se passaram da criação do Estado de Mato Grosso do Sul, sem qualquer medida de impacto, pelo menos ações preventivas que viessem suavizar essa verdadeira calamidade.
Audiência pública acontece para se debater o grave problema, porém, o que realmente interessa no momento é saber a origem de tamanha distorção. É dispor de um histórico, algo que ocorreu num passado longíncuo, transportando-o para o presente, estudando suas variáveis, estabelecendo comparações entre os períodos, um verdadeiro trabalho investigativo, contando com a colaboração de organismos como os Conselhos Regionais de Engenharia, de Corretores de Imóveis, de sindicatos interessados na questão como por exemplo, dos taxistas, dos Transportes de Cargas, enfim, da sociedade como um todo, participando de uma cruzada em favor da vida.
As pessoas com maior experiência (idade) podem colaborar, e muito, em função do arquivo que construiu ao longo de sua vida laboral ou mesmo, existencial. Na década de sessenta, assistindo a uma palestra proferida por um engenheiro com especialidade em mobilidade urbana, procedente de São Paulo-SP., a convite do prefeito recém-eleito da cidade de Corumbá, deixou os ouvintes impressionados com esta revelação: “ As cidades localizadas às margens da ferrovia Noroeste do Brasil, de Bauru a Corumbá, terão sérios problemas relacionados a acidentes de trânsito.” Bem, seria ele um vidente? Não, apenas um engenheiro que antevia situações como a que enfrentamos aqui na Capital.
Esclareceu-nos aquele técnico que todos nós que residíamos em cidades com o traçado artificial como as que se situam à beira das rodovias, ficávamos encantados pela aparente modernidade, mas que isso foi o resultado de um planejamento que tinha por objetivo facilitar a venda de terrenos em loteamentos bem estruturados. Naquela época, a indústria automobilística estava apenas engatinhando, e a nossa frota se limitava a algumas centenas de automóveis.
Apenas Campo Grande teve uma explosão de crescimento populacional e urbano, e isso ocorreu após a divisão do estado, e aquilo que mais parecia uma previsão é hoje uma triste realidade que a todos assombra: são os milhares de cruzamentos de nossas vias públicas. Agora, o que vai valer é a criatividade.