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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta terça-feira: "Conduta questionável"

Confira o editorial desta terça-feira: "Conduta questionável"

Redação

23/05/2017 - 03h00
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Nos bastidores, ministros do Supremo Tribunal Federal  e advogados criticaram os procedimentos adotados na PGR com os donos da JBS.

O momento no Brasil é de inquietação. O teor das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da holding J&F e de Ricardo Saud, diretor do grupo, ainda reverberam nos cenários político e econômico e, por enquanto, configuram quadro de incertezas e questionamentos sobre a conduta da Procuradoria-Geral da República no acordo firmado com os executivos. Dos elementos que se têm até agora, percebe-se tratamento diferenciado com benesses que fogem do trâmite usual dessas negociações.

Nos bastidores, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e advogados criticaram os procedimentos adotados na PGR com os donos da JBS. Do primeiro contato até assinatura do pré-acordo de delação, várias etapas foram queimadas no processo, entre elas a definição de temas a serem delatados, as cláusulas com vantagens, reduções de pena e tomada de depoimentos. Mesmo sem ter os acordos assinados e homologados pelo STF, a PGR pediu autorização à corte para a realização das escutas telefônicas e apuração com a “ação controlada”, com a participação da Polícia Federal. Neste caso, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ainda pediu ao supremo que o delegado fosse impedido de dar informações sobre a operação, até para os seus superiores hierárquicos, o que não é usual.

Joesley e Wesley conseguiram o que nenhum outro delator teve sucesso: o perdão total, uma vez que a PGR garantiu que não oferecerá denúncia criminal, blindando os Batista de processos e condenações da Justiça. Este acordo foi homologado pelo ministro Edson Fachin no dia 11 de maio, meses depois de operações como a Sépsis, a Greenfield, Cun Bono?, Carne Fraca, e Bullish, e passa por cima dessas investigações da Polícia Federal. A justificativa da PGR é que os delatores trouxeram elementos inéditos e de peso, sendo de “grande utilidade” para as investigações. Porém, as gravações feitas por Joesley são alvo de dúvidas e rechaçadas pelos governistas. Há quem aponte edição nos trechos para comprometer o presidente da República Michel Temer. Se os depoimentos dos executivos trazem algum teor de verdade, fica-se a impressão que o crime compensa, e muito, no Brasil: os executivos alcançaram patamar altamente cobiçado por outros delatores, o de absoluta impunidade com aval do Judiciário.

Enquanto Joesley Batista acompanha, de longe, os desdobramentos do seu depoimento, a economia patina. A Bovespa operou em queda durante toda a segunda-feira, fechando em -1,54%. As ações da empresa dele, a JBS, destacaram-se negativamente, liderando as perdas e caindo até 31%. Em valores, teve prejuízo de R$ 5,9 bilhões no pregão no dia. A reforma da Previdência pode atrasar semanas, conforme avaliação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Quem ficou por aqui, que se explique, que tente provar a inocência e se livrar da lama jogada para todos os lados.  As delações mudaram os rumos do processo denunciatório: o que se fala é prova cabal, o resto é problema de quem foi citado. 
 

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