Nessa lista de contingenciamento, a equação de obras, recursos humanos e manutenção tem sido visivelmente falha.
A necessidade de ampliar a quantidade de médicos em Mato Grosso do Sul é evidente, principalmente na rede pública. A Prefeitura deCampo Grande, por exemplo, tem enfrentado dificuldades para fechar as escalas de plantões nos postos de saúde depois que 136 profissionais deixaram de trabalhar no município neste ano.
No interior, a carência de especialistas é enorme e segue a dependência da estrutura da Capital para muitos procedimentos. A criação de mais um curso de Medicina na cidade é vista com esperança para, ao menos, minimizar esse quadro deficitário. O ganho, porém, esbarra na burocracia para estruturar o curso da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems), criado em 2015.
Faltam professores, livros e materiais para laboratórios. Disciplinas são ministradas com atraso em relação ao cronograma, justamente porque os itens necessários não estão disponíveis. Desde o início, o improviso foi necessário, firmando convênios com outras instituições para uso de laboratórios. A informação é que já há licitações em andamento para compra de materiais e a previsão é que possam chegar até o fim do ano. Ainda ficará pendente a contratação de professores, pois há necessidade de concurso.
Sabe-se que a sede da Uems em Campo Grande representa conquista esperada há muito tempo, pois durante anos estudantes tiveram aulas em espaços “emprestados” de escolas estaduais sem contar com estrutura satisfatória. A nova unidade custou R$ 50 milhões e trouxe como novidade o curso de Medicina. Os profissionais têm se esforçado para, dentro das limitações, garantir bons resultados. Os aprimoramentos, porém, dependem da ampliação de investimentos.
Diante da crise e até mesmo de problemas de planejamento, têm se tornado comum as inaugurações de prédios que acabam com estrutura ociosa. É preciso, com urgência, estudar mecanismos para captar verbas e tentar aproveitar melhor os espaços e, consequentemente, atender aos interesses da comunidade.
Há risco de desperdício ainda em relação ao Hospital do Trauma, construção anexa à Santa Casa. Diante do alto índice de acidentes de trânsito, principalmente motociclistas, é urgente a necessidade de ampliar os investimentos neste setor.
A conclusão do prédio era aguardada há mais de uma década e, quando finalmente foi concluída, já é possível antever a dificuldade que será enfrentada. Ainda segue indefinida como serão feitos os repasses para manter o hospital, algo que dependerá de parceria entre prefeitura, Estado e União. Se pegarmos como base a “briga” da Associação Beneficente para ampliar os recursos, certamente o impasse tomará proporções ainda maiores.
Com a recessão econômica, os gestores enfrentam severa crise na arrecadação, tentam cortar investimentos e estão quase extrapolando os limites de gastos com pessoal, algo que restringe novas contratações. Esse cenário tem dificultado o melhor aproveitamento das construções concluídas. Nessa lista de contingenciamento, a equação de obras, recursos humanos e manutenção tem sido visivelmente falha.