A população encara hoje com perplexidade, até certa repulsa, as gestões que cometeram graves desacertos financeiros.
As contas públicas de Campo Grande apresentaram superavit (saldo positivo entre despesas e receita) pelo segundo bimestre seguido. O resultado, bastante aguardado neste período de recessão econômica no País, ainda não pode ser devidamente comemorado.
É preciso consertar o desastre deixado pela inepta administração anterior, de quase meio bilhão de reais em contas e folhas de pagamento atrasadas, conforme relatado pelo prefeito Marcos Trad.
Os campo-grandenses, ao menos no decorrer deste ano, ainda deverão sofrer os impactos dos equívocos e da inércia que se instalou na cidade durante a gestão de Alcides Bernal e Gilmar Olarte. Oito meses se passaram e ainda é difícil mensurar quanto levará para recuperar tamanho atraso.
Há sinais positivos com o fôlego nas finanças. A receita tributária cresceu 9,66%, com destaque para incremento no pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Consequência também das medidas mais rigorosas para cobrar inadimplentes, inscrevendo devedores na dívida ativa, além de ações de combate à sonegação.
O secretário municipal de Finanças, Pedro Pedrossian, adota tom cauteloso ao afirmar o risco da ilusão com os dados positivos, considerando a tendência de dificuldades maiores nos próximos meses, quando a arrecadação naturalmente diminui.
A Capital sentirá ainda o impacto da controversa queda no índice de rateio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em que a cidade perderá R$ 54 milhões/ano.
Neste cenário nebuloso, assegurar investimentos torna-se desafio mastodôntico. Fato comprovado em números: até agora apenas 8,22% da dotação orçamentária prevista para o ano foi aplicado.
Mesmo assim, os investimentos de R$ 37,4 milhões já superam o ano anterior, quando somaram R$ 10,2 milhões. As ações, como todos os campo-grandenses acompanham, resumem-se a tapa-buraco ou à tentativa de destravar projetos antigos, alguns elaborados há pelo menos cinco anos.
A revitalização do Rio Anhanduí, às margens da Avenida Ernesto Geisel, intervenção na rotatória da Mato Grosso com a Via Parque, e Reviva Centro voltaram a ser esperanças reais para a população depois de longa espera.
A “luta” esbarra nos percalços para cumprir obrigações básicas, a exemplo do pagamento da folha de servidores e do décimo terceiro, que desde já começa a ser planejado. É preciso evitar que se repita o quadro caótico de abandono, que afugentou investidores, empregos e prejudicou até mesmo a infraestrutura da cidade.
As metas e planejamento precisam se basear em dados reais, sem a demagogia de outrora. A gestão Bernal chegou ao ponto de lançar licitações sem dinheiro para as obras de recapeamento de avenidas. Falácia às vésperas de eleição.
A população encara hoje com perplexidade, até certa repulsa, as gestões que cometeram graves desacertos financeiros, desperdiçando dinheiro público. Há uma descrença em relação à seriedade na política. Algo difícil de ser resgatado, diante dos casos de corrupção que abalam o País.
Os efeitos dos desastres administrativos devem, em tese, evitar que nas próximas eleições candidatos continuem tendo êxito baseando-se em meras ilusões.