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Confira o editorial desta terça-feira: "Histórico de falhas"

Confira o editorial desta terça-feira:<br> "Histórico de falhas"

Redação

26/09/2017 - 03h00
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Novas discussões iniciam-se e, com elas, a oportunidade de buscar opções melhores que realmente garantam transporte de qualidade.

Contraditoriamente, utilizar transporte público tornou-se sinônimo de transtorno e desconforto. Dependendo do horário, o passageiro enfrentará lotação do coletivo ou longa espera por determinada linha. Os ônibus também deixam a desejar. Esse desafio estende-se aos terminais, com estrutura precária para atender os usuários. A reforma recente, incompatível com o benefício desfrutado pelo Consórcio Guaicurus de R$ 4,8 milhões com isenção do Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN), amenizou algumas deficiências. Porém, os pequenos reparos já se perdem diante dos atos de vandalismo, agravados pela falta de vigilância nesses locais. Esse cenário dissipa qualquer ato para tentar incentivar a troca do carro particular pelo transporte público. Fica apenas no discurso de quem desconhece as dificuldades enfrentadas pelos passageiros. 

Aproxima-se a data de término da vigência do contrato que assegurou a isenção do tributo ao Consórcio Guaicurus. A prefeitura concordou com a renúncia fiscal em troca da reforma dos nove terminais da cidade, construção de 100 novos pontos de ônibus e instalação de lâmpadas de LED nesses espaços. Agora, chegou o momento de apresentar o balanço final do trabalho executado, definir se o tributo voltará a ser cobrado e se haverá algum reajuste na tarifa de ônibus. Mesmo com a importância do tema, as discussões ainda não começaram efetivamente. Vereadores precisam, com urgência, sair dos gabinetes e montar uma comissão para acompanhar o trabalho nos terminais. Vão constatar, por exemplo, que ainda permanecem bancos quebrados, mictórios interditados e falta de bebedouros funcionando. Necessidades básicas dos passageiros, como beber água ou ir ao banheiro, continuam inacessíveis. Desconforto e precariedade seguem em níveis gravíssimos.

Os trabalhos executados pelo Consórcio Guaicurus, ao custo de R$ 800 mil mensais, resumem-se basicamente à pintura e troca de lâmpadas, além dos pontos de ônibus em bairros da cidade. As pichações já voltaram às paredes dos terminais. Nota-se, eventualmente, a presença de seguranças particulares, mas o objetivo é controlar a entrada e saída, para que ninguém deixe de pagar a passagem. O cuidado com o terminal depende de rondas esporádicas feitas pelos guardas municipais. Pasmem, mas a presença deles nos locais não é contínua justamente pela “falta de condições físicas e de salubridade”. Essa foi a justificativa apresentada pela Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social. Confirma-se, assim, a falta de condições dignas aos passageiros, reconhecida pela administração municipal. 

As falhas começaram ainda nas atribuições definidas no edital de concessão, que culminou na escolha do Consórcio Guaicurus (mantendo o grupo que, há anos, comanda o transporte público municipal). A responsabilidade pela administração, segurança e estrutura dos terminais deveria ser das empresas. Afinal, são elas que recebem todo o dinheiro da passagem para, como contrapartida, garantirem esse serviço. Erros repetem-se, novamente, com as reformas incompletas, prejudicadas pela ausência de vigilância. Obviamente, é preciso ponderar sobre a falta de respeito de alguns que prejudica a coletividade. Novas discussões iniciam-se e, com elas, a oportunidade de buscar opções melhores, que realmente garantam transporte de qualidade aos passageiros.

 

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