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Altemir Dalpiaz:<br> Legado da Copa e da Olimpíada

Altemir Dalpiaz é Professor

Redação

12/10/2017 - 01h00
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Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro – COB e do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, escondeu 16 quilos de ouro na Suíça e teve o bloqueio pela justiça de seus bens  ao limite de R$ 1bilhão, na Operação Unfair Play, um desdobramento da Lava Jato.  Acusação: compra de votos para a escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016. Seus advogados na defesa de seu cliente, escreveram  que  “O Brasil não é e nem nunca foi colônia francesa. Já foi de Portugal. E não é mais”.  Enganam-se esses advogados. O Brasil continua se comportando como um país ainda  colonizado, onde inclusive as exigências do Comitê Olímpico Internacional – COI e a própria FIFA (Instituição também afundada em escândalos), interferiram na constituição de nosso país e exigiram adequações para que sediássemos ambos os jogos.

Quanto mais exigências, mais obras. Eis aí a oportunidade para se roubar um pouco mais. Nessas reformas, destruíram a beleza histórica do Maracanã, Mineirão e Beira Rio, acabando com a geral e o tipo de público que ela frequentava. As classes menos favorecidas foram sutilmente afastadas dos jogos de futebol. Brasília e Cuiabá têm suas arenas  entregues às moscas e mal conseguem se sustentar. Se analisarmos as obras de mobilidade urbana, encontramos outro  desperdício de empreendimentos abandonados. 

Ao olharmos para o Rio de Janeiro, encontramos o abandono de edificações que não estão sendo utilizadas, se deteriorando em meio ao caos financeiro do estado e da capital. Funcionalismo com salários atrasados, desordem na segurança pública, educação capenga. É o Estado entregue ao crime organizado. 

A Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, não são as únicas e nem as maiores responsáveis pelo momento que o Brasil atravessa. Servem apenas como uma amostra da incompetência e desonestidade governamental em gerir orçamentos públicos. Têm homens e mulheres nesse país que não sabem fazer outra coisa senão mamar nas tetas do governo. O reflexo disso tudo está no descontrole da gestão pública e as consequentes medidas para “readequar” as finanças.

Não posso deixar de comparar Nuzman à Eike Batista. Ambos assumiram empreitadas, com interesses próprios e passando por cima da inteligência das pessoas. Ambos iludiram multidões com suas promessas bem articuladas. Ambos fazem parte de uma organização criminosa maior. Ambos se escondem atrás de um certo ar de superioridade, como se não merecessem ter nascido no Brasil.  Como bons ilusionistas, fizeram muitas pessoas embarcar em suas visões de futuro como estrategistas no mundo dos negócios e ousadia acima da média para enxergar oportunidades onde muitos só viam problemas. Ambos adoravam os holofotes e foram tidos como exemplos de brasileiros bem sucedidos, que colocariam o Brasil no Primeiro Mundo. Eram donos do espetáculo e citados por oito entre dez coaching à época. 

Enquanto lambemos nossas feridas, sentindo a dor provocada pela desfaçatez de “mentes engenhosas”, um grupo de 23 ganhadores do prêmio Nobel enviou uma carta a Michel Temer, no final do mês de setembro, alertando sobre os riscos ocasionados pelos cortes em pesquisas no Brasil. Existe a possibilidade de um corte em 15,5% para o ano que vem.Investimentos em pesquisas colaboram para novas descobertas e avanços, condições necessárias para melhorar as condições de vida da população. 

Agora os cintos apertam em necessidades vitais da população, como saúde, educação e segurança pública. Nossas medalhas são de barros, se desmancharam quando a festa acabou. As tragédias pós-copa e pós-olimpíada simbolizam o fracasso de quem gastou o que não podia, para mostrar aos outros países o que não éramos, ou, ainda não somos. Esse é o legado.

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