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Confira o editorial desta sexta-feira: "Retomada necessária"

Confira o editorial desta sexta-feira: "Retomada necessária"

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Estrategicamente localizada, a UFN III poderá ser a principal fornecedora de fertilizantes para a Região Centro-Oeste.

A elevação dos custos para concluir a obra da unidade de fertilizantes nitrogenados de Três Lagoas é mais uma prova de que, no Brasil, praticamente todas as construções sempre têm, na prática, um custo maior que os previstos em seus projetos. Pequenos desvios de cálculo até poderiam ser considerados algo comum em um empreendimento de grande magnitude, como é o caso desta fábrica localizada na terceira maior cidade de Mato Grosso do Sul.

O problema é que os R$ 2 bilhões que serão necessários para que a usina comece a funcionar, conforme informou reportagem do Correio do Estado publicada ontem, representam 62,5% do custo inicial da obra, que era de R$ 3,2 bilhões quando foi lançada em 2011. A construção desta unidade, cujo nome é UFN III, foi paralisada há três anos, com 80% dos trabalhos concluídos. A conta simplesmente não bate, pois mais da metade do valor investido na indústria será agora aplicado na construção de somente um quinto da planta.

Diante de um empreendimento orçado na cifra dos bilhões, a esperança das autoridades e do povo sul-mato-grossense certamente será sempre a última a morrer. Bom seria se as expectativas da prefeitura de Três Lagoas – de que até março do próximo ano sejam definidos os grupos que assumirão a obra – se concretizassem. 

Mato Grosso do Sul, que neste ano experimentou queda abrupta da arrecadação de impostos, com a redução da importação de gás natural da Bolívia, poderia ter uma recuperação fiscal em duas frentes: na retomada do uso do gás pela própria UFN III e, também, na comercialização e produção de fertilizantes.

Entre os grupos interessados na usina está o chinês Sinopec, que já integra o consórcio juntamente da Petrobras e da Galvão Engenharia, empresas duramente atingidas pela Operação Lava Jato, ação policial diretamente ligada à paralisação das obras. Ao se combater a corrupção na estatal de Petróleo na Vara Federal de Lavagem de Dinheiro de Curitiba, houve pouca preocupação com o andamento de obras e novos investimentos da Petrobras. Infelizmente, um projeto que poderia transformar a indústria sul-mato-grossense foi paralisado por efeito colateral da operação conduzida por força-tarefa sediada no Paraná.
Além da Sinopec, que cogita assumir sozinha a usina, também há interesse do grupo norueguês Yara.

Estrategicamente localizada, a UFN III poderá ser a principal fornecedora de fertilizantes para as produtivas propriedades rurais da Região Centro-Oeste. O agronegócio aguarda ansioso por mais esta obra, que, quando concluída, poderá baratear os custos de produção.

O que se espera, contudo, é que ela de fato fique pronta e que nenhum outro acontecimento impeça esta indústria de começar a gerar, o quanto antes, os mais de 5 mil empregos que promete. A economia do Estado agradece.

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