Nunca vi tantos outdoors de escolas espalhados pela cidade! As antigas propagando a tradição, principalmente a proeza de oferecer ensino bilíngue, e as novas propondo novos métodos de ensino. Todas buscando atrair mais clientes (ops) estudantes. É hora então de fazer uma serena avaliação de todo o período letivo e, a partir daí, tomar ou não novo rumos. Antes de tudo, respondendo às seguintes questões: quantas vezes você – pai, mãe e ou responsável – foi à escola de seu filho sem ser em dia de reunião de pais e festinhas? Você conhece o projeto pedagógico da escola? Alguém já o apresentou? Qual a formação do professor? Qual a formação do diretor? Quantos alunos na turma? Conhece os livros que foram escolhidos e adotados? Como você participa da educação escolar? Por último, e mais importante de tudo, seu filho está feliz?!
A presença ativa dos pais dentro da escola é um dos ingredientes necessários para se alcançar uma educação coerente, assim como a abertura da escola para essa participação. A escola que se fecha tem algo para esconder. O fluxo entre essas instâncias – família x escola – precisa permanecer aberto durante todo o período letivo, e não somente no ato da matrícula e de reuniões de pais e mestres. Se essa relação foi forçada, está errada.
Ao conhecer a escola (não só o conforto, estrutura física), é preciso “perder tempo” para ler o PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO da instituição, porque é ele que, como bula de remédio, revelará todo o processo pedagógico, as crenças e intenções: sua filosofia, metodologia, pressupostos teóricos, formação exigida de seus professores, processo de avaliação, número de alunos por sala e tudo mais que a escola ofereça. É um documento que deve ser feito com a participação de toda a comunidade escolar (pais, professores, alunos, funcionários) e que serve como um trato visível entre a escola e a família. Nada pode ser diferente do que ali foi revelado. Todas as escolas – públicas e privadas – têm o seu projeto. É lei! Conheceu? Conheça!
A formação dos professores foi regulamentada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 1996, que definiu como formação mínima, desde a Educação Infantil (creche e pré-escola), para lugarejos que ainda não tivessem professores com nível superior (21 anos atrás), o magistério do Ensino Médio. Não é o caso de Campo Grande, porque, aqui, temos inúmeras faculdades formando professores nesse nível, e um grande número deles, desempregados. Não é opção da escola, é exigência legal. O que se vê são algumas escolas contratando profissionais sem essa formação, para pagar um salário menor, visando apenas ao lucro. ATENÇÃO nesse item, porque as pesquisas confirmam que OS PROFESSORES são mais importantes que a metodologia e os livros utilizados. A formação adequada faz uma enorme diferença no processo de aprendizagem.
O diretor precisa ser PEDAGOGO ou ter alguém com essa formação para ser o responsável pela escola. Nas escolas privadas, é ele o elemento principal do processo educativo, porque é quem escolhe e define o que vai ser valorizado no ensino. Pergunte qual a sua formação. Cuidado com escolas de UM só responsável! É necessário que tenha coordenadores pedagógicos.
Não basta ter dinheiro para pagar o ensino mais caro. A qualidade na educação não está garantida no preço da escola. A escolha da escola é do responsável, por isso não se deixe enganar por propagandas e marketing. Antes de matricular ou renovar a matrícula de seu filho, não olhe apenas as novidades propagadas, os muros pintados e as salinhas bonitas. Convido os pais a fazerem uma reflexão sobre suas posturas e uma avaliação da ESCOLA que seu filho frequentou este ano. É possível avaliar, julgar e dar uma nota a si próprio e à escola e, com certeza, definir o que fazer para o próximo ano letivo.
Seu filho foi reprovado? E você? A ESCOLA de seu filho “passou de ano”? Ainda é tempo!