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Cezar Benevides: "Repensando o comunismo no século XXI"

Professor aposentado da UFMS

Redação

05/12/2017 - 02h00
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O digno general de exército Freitas é um dos mais importantes chefes militares da atualidade. É o atual Comandante Militar do Oeste. Está em Campo Grande há poucos meses. Tive a honra de ser seu colega da turma Juarez Távora na Academia Militar das Agulhas Negras (1976-1979).

Ele determinou que palestras e conferências fossem proferidas em todas as unidades militares sob seu comando, em 27 de novembro, para discutir a Intentona Comunista de 1935 ou Rebelião Vermelha como a denominou o historiador norte-americano Stanley Hilton.

Fui testemunha, ao lado do distinto coronel Boiteux e de outros oficiais do entusiasmo, da seleta plateia durante a brilhante conferência proferida pelo coronel Hélio, doutor em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares, colega da mesma turma.

O pessimismo sobre o futuro do Brasil vem aos poucos desaparecendo. Entendo que o Brasil e a ex-União Soviética precisam se relacionar melhor para poderem realizar mais negócios e intercâmbios culturais no século XXI. Se cada um dos lados aprender com os equívocos do passado, muitos problemas poderão ser facilmente superados.

Não podemos negar que os pontos de aproximações são inúmeros. Territórios imensos, vastas áreas geográficas fracamente povoadas, cuja integração à atividade produtiva apresenta limites e ao mesmo tempo infinitas possibilidades para o futuro. Tive grande prazer em dialogar com o coronel Arthur, assessor cultural do CMO, que trabalhou em Moscou e também com o coronel Queiroz, ambos contemporâneos na AMAN.

Os dois conhecem bem tanto a Amazônia como a Sibéria. Temos em comum enormes contingentes populacionais que precisam ser educados para a paz mundial. Os dois gigantes continentais apresentam fugas de cérebros de jovens sem perspectivas em seus países de origem.

Experimentam práticas políticas recentes e vulneráveis, como por exemplo a corrupção generalizada. Precisam de industrialização e educação sistemáticas. Vastas áreas com visível atraso tecnológico e falta de infraestrutura e logística. Há também uma história comum de protecionismo nas relações internacionais.

Estudando o posicionamento de pesquisadores estrangeiros, verifico que o Brasil e a ex-União Soviética não podem se limitar a se tornarem meros fornecedores de matérias-primas para os Estados Unidos, comunidade europeia, China e Japão. O caminho é a abertura para o comércio internacional e criação de uma poderosa rede de intercâmbio educacional.

Nesse sentido, estou sugerindo ao exército uma parceria com a Universidade de Soka, no Japão, nos Estados Unidos e agora também no Brasil. O assunto já está sendo examinado na ONU, em Nova York, pelo predecessor do general Freitas no CMO, general de exército Menandro, que fora nosso instrutor na AMAN.

Será levado, também, ao Alto Comando do Ministério da Defesa. Meus colegas e eu estamos incluindo na agenda em 2018 uma visita à ONU e outra à Universidade de Soka, pela qual tive a honra de ser distinguido, em 2007, com uma homenagem assinada pelo dr. Daisako Ikeda e que foi entregue pessoalmente pelo seu filho o dr. Hiromasa Ikeda.

Esta autoridade se encontrou, recentemente, com o papa Francisco e discursou sobre a abolição das armas nucleares. Afinal, a existência humana se orienta para o futuro e o maior legado é direcionar nossos jovens para a paz mundial.

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