Já não é de hoje que a educação básica do Brasil vive em situação caótica, havendo partes do País em que as crianças não têm sequer água para beber. Lugares esquecidos, por um lado, mas, por outro, espaços onde não existem limites para a corrupção. Como pode parte dos governantes que deveriam trabalhar para que seu povo tenha um futuro melhor desviar dinheiro de merenda; de uniformes; de material escolar para outras finalidades, em geral desconhecidas pela população?
Cabem aqui alguns questionamentos: Qual a perspectiva de uma criança que vai a uma escola que não pode oferecer o mínimo de estrutura necessária para que ela possa desenvolver seu aprendizado de forma digna? Como pensar em dignidade e aprendizagem em lugares onde não existe água, comida, banheiro, carteiras e, muitas vezes, nem mesmo um lugar que proteja da chuva os aprendizes? Como um professor vai explicar para seus alunos que o Estado existe para garantir o bem-estar social do seu povo, quando não oferece o mínimo de que um cidadão precisa para viver? Infelizmente a maioria de nossos governantes está de olhos fechados pra essa situação desprezível em que se encontra grande parte da população brasileira.
Uma criança que cresce nessas condições e, mesmo assim, consegue chegar à sua juventude almejando fazer uma faculdade, buscando meios de “ser alguém na vida”, jamais vai poder fazer frente com quem cresceu em ambientes totalmente favoráveis, com toda estrutura que uma instituição de ensino particular pode oferecer. Jamais concorrerá em condições de igualdade com uma pequena parte de abastados que cresceram com todo conforto, que nunca ficaram um dia sem comer, ou sem ter água pra beber, que não sabem o que é ser esquecido por governantes que pensam apenas em si mesmos. A corrupção na política que assola o País desviando o dinheiro de um povo que trabalha e paga um dos impostos mais caros do mundo é uma triste realidade brasileira, a comprometer os rumos da educação no País.
Cabe ainda destacar a situação que vivenciam os professores: além de serem mal remunerados, muitas vezes ainda têm de usar dinheiro de seu próprio bolso para comprar algum tipo de material para seus alunos. Professores que amam o que fazem, mas que, infelizmente, são desvalorizados por uma sociedade e pelos nossos governantes. Em uma nação que se queira grande, com ordem e progresso, é fundamental dignificar os profissionais responsáveis pela educação do País, pois são eles que formam pessoas, que constroem a educação do futuro de um país e que fazem o possível e até mesmo o impossível para dar esperança a crianças que ainda sonham com um futuro em que possam viver dignamente.
A desigualdade social é um fato, e existe em todo lugar do mundo, mas cabe aos governantes trabalharem para que os menos favorecidos possam ter, pelo menos no âmbito da educação escolar, as mesmas condições que o filho da classe mais abastada vai ter quando crescer. Não podemos esquecer que a grande maioria das pessoas do nosso País são das classes menos favorecidas e que provavelmente uma parcela das crianças dessas famílias serão os políticos que irão nos representar e governar o País num futuro próximo. A questão é: E como eles serão como políticos? Serão melhores do que os que estão no poder hoje, ou serão iguais aos de hoje?
Esperamos sinceramente que sejam melhores, porque, se forem iguais, o Brasil estará perdido: continuará sem educação, cheio de políticos corruptos desviando os recursos que deveriam ser usados unicamente em prol do bem estar do povo, da educação de milhares de crianças carentes que precisam de – e o merecem – condições iguais para, quem sabe, um dia poder nos ajudar a ter um País melhor e mais justo.
*Pierre Scagliusi é estudante de Administração da UFMS, em Três Lagoas
Beatriz Aparecida Leite Borges é estudante de Ciências Contábeis da UFMS, em Três Lagoas
Vanessa Cristina Ferreira da Palma é professora de Direito na UFMS