A literatura infantil nem sempre foi considerada, pelos adultos, um recurso relevante na formação de consciência, cultura ou crescimento emocional das crianças. Apenas no século vinte é que a ideia de gênero secundário foi superada e a literatura infantil cresceu, exponencialmente, desde então.
Sua importância, segundo estudiosos da Pedagogia, Psicologia e áreas afins, está no fato de que as crianças se identificam nas situações de perigos e dramas tão recorrentes nas histórias. Essa empatia entre a criança e a narrativa trabalha aspectos psicológicos importantes no seu desenvolvimento para a vida adulta.
Alguns psicanalistas defendem a ideia de que, quanto mais acesso das crianças à literatura infantil, melhor a formação de adultos em condições efetivas de interferência não apenas na realidade de seu entorno, mas na construção de uma sociedade saudável emocionalmente e com sentimentos reais de preferência pela democracia.
Tamanha a importância de as crianças exercitarem a imaginação que a recomendação dos especialistas seria a de uma atividade permanente de leitura para desenvolver habilidades da linguagem, enriquecimento do vocabulário, criatividade e a participação em um mundo de faz de conta.
Tanto ouvir quanto ler histórias inventadas proporcionam às crianças a possibilidade de novas abordagens de ver o mundo, sua realidade, de pensar soluções para problemas que se apresentam e agir com segurança diante das incertezas da vida. Valores como o respeito e a amizade, apresentados nas histórias infantis, desestimulam o etnocentrismo e fortalecem o sentimento de altruísmo.
Outro benefício da literatura infantil é o conhecimento de comportamentos e culturas diferentes e que retratam maneiras positivas de superação do ser humano, preparando-o psíquica e emocionalmente para lidar com uma das principais angústias do ser humano: a solidão.
O acesso à literatura infantil é tão importante e fundamental quanto o alimento de cada dia, além de exercitar a imaginação e despertar o prazer pela leitura, que é, naturalmente, o caminho para se chegar ao conhecimento.
Nos primeiros meses e até anos de vida, os bebês humanos e primatas são muito parecidos.
O processo natural do desenvolvimento nos humanos rompe tais semelhanças com o surgimento da fala. No entanto, sem os estímulos necessários pelo gosto da leitura, os leitores serão raros e a realidade mais difícil. Ou seja, aprendemos a falar naturalmente, mas não aprendemos a ser bons leitores sem o devido estímulo.
Não existe um melhor horário indicado para a contação de histórias ou o incentivo à leitura. O tempo indicado é que deve ser observado, dentro de cada faixa etária. Por exemplo, para bebês de até um ano de idade, bastam poucos minutos. De dois a três anos, esse tempo varia entre dez e quinze minutos.
Dos três aos seis anos de idade, não se deve ultrapassar os trinta minutos. Mas lembre-se de ficar atento ao interesse da criança pelo tempo de leitura.
O estímulo à interação da criança com o livro é mais do que necessário. As perguntas feitas pelos pais ou responsáveis no momento da contação da história reforçam a compreensão da mensagem trabalhada, além de aguçar a curiosidade e o processo criativo.
Outro fator importante é o aprendizado da criança em lidar com seus medos e frustrações. A relação com os coleguinhas tornar-se-á mais saudável e pacífica a partir do instante em que a criança perceber que tem o mesmo poder dos personagens em reproduzir ou criar soluções, pacíficas e positivas, na resolução de conflitos e do convívio social.