Desde que a Noroeste passou da Rede Ferroviária Federal para a iniciativa privada que as promessas de melhorar a estrutura da via vieram aos montes. Nenhuma delas foi cumprida.
A Ferrovia Noroeste do Brasil, que atravessa o território do Estado de leste a oeste, e seus ramais que ligam Campo Grande às cidades de Ponta Porã e Itahum, distrito de Dourados, tiveram grande importância para que o sul do Mato Grosso, no início do século passado, se desenvolvesse e, mais tarde, se tornasse Mato Grosso do Sul.
Pelos trilhos inaugurados em 1917, muitas pessoas foram e voltaram de seus destinos e origens. Por eles também foram levadas incontáveis toneladas de produtos da terra, como grãos e minério de ferro, e chegaram produtos industrializados e muito combustível.
Com esta descrição já é possível estimar a importância que a ferrovia teve para o desenvolvimento das cidades por onde passa.
Não fosse o sucateamento de toda sua infraestrutura, composta de trilhos, pontes, estações, locomotivas e vagões a partir da década de 1990, e intensificada na década passada, a ferrovia ainda estaria contribuindo para melhores resultados em nossa economia.
Veja o exemplo das ferrovias norte-americanas e europeias: o traçado de muitas delas foi implantado há mais de 100 anos. De lá para cá, os trilhos e as locomotivas foram modernizados, e essas vias continuam as mesmas. Se o mesmo tivesse ocorrido com a estrutura da antiga Noroeste do Brasil, o sistema de transporte local seguramente estaria melhor.
Não foi o que foi feito na estrutura da ferrovia. O pouco que restou dos trilhos e locomotivas que poderiam ser utilizados na malha sul-mato-grossense da antiga ALL, e da atual Rumo Logística, foram levados para outros estados como Paraná e São Paulo.
Em condições atuais, por causa do sucateamento, seria quase impossível que um comboio pudesse chegar às estações de Ponta Porã e Itahum. O sentimento de boa parte das pessoas que ao viajar pelo interior se depara com estações, pontes e outros componentes da estrada de ferro abandonados, é de pena. Pena pelo descaso das autoridades reguladoras, e de indignação pela canibalização de uma importante via, construída há 100 anos.
O que se espera é que o projeto de criação do Corredor Ferroviário Transamericano, que ligará os portos de Ilo, no Peru, e o de Santos (SP), de fato, saia do papel. Desde que a Noroeste passou da Rede Ferroviária Federal para a iniciativa privada, que as promessas de melhorar a estrutura da via vieram aos montes. Nenhuma delas foi cumprida. Isso é lamentável.
Também surgiram nesse período planos mirabolantes, que beiram a incoerência, como a construção de novas ferrovias ligando a região de Dourados aos portos de Santos e Paranaguá (PR). São planos bilionários, que custarão muito mais que a recuperação da ferrovia já existente.
Apesar do ceticismo gerado pelas incontáveis promessas não cumpridas para recuperar a estrutura da antiga Noroeste do Brasil, a torcida é grande para que este novo projeto, em parceria com o governo boliviano, seja implantado e que os trens voltem a circular com mais frequência no território sul-mato-grossense.