Está escrito em nossa Constituição de 1988 e sempre constou das constituições anteriores. Mas será mesmo que a vontade do povo é respeitada? Será que os políticos detentores de mandato popular têm como princípio atender às reivindicações de seus eleitores?
Campanhas institucionais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) orientam os eleitores a cobrarem de seus representantes as necessidades da coletividade, mas na prática não funciona, porque os políticos não têm o hábito de deixar em suas agendas um espaço aberto para isso.
O saudoso e competente jurista Sobral Pinto, homem de vida simples, que muito lembra Jose Mujica e que no período da ditadura militar sempre defendeu os presos políticos que não tinham recursos para arcar com os honorários advocatícios – o que o notabilizou, tornando-o um ícone entre seus pares –, em suas raras entrevistas sempre afirmava que o cidadão tem o dever de cobrar das autoridades, eleitas ou não, o cumprimento das obrigações que lhes são devidas. Reforçando sua tese, dizia que sempre teve o hábito de escrever às autoridades, que a contragosto respondiam porque entendiam ser suas obrigações.
No cenário político atual, o que se observa é uma postura não republicana e muito menos democrática no que concerne aos anseios populares.
A classe política passou a se interessar única e exclusivamente pelos interesses da categoria, auferindo salários e vantagens cada vez maiores, legislando em benefício próprio, esquecendo do mais importante: o bem-estar da população, que por meio dos impostos pagos lhe proporciona todo tipo de vantagens.
Os políticos vivem nababescamente e têm demonstrado total desconhecimento para com a realidade econômica do País, onde o próprio presidente afirma que não há crise no Brasil e que apenas os contras, que são uma minoria, protestam.
Os protestos e as indignações nas redes sociais sofreram um visível decréscimo, haja vista a indiferença com que os políticos as recebem, como se nada de anormal estivesse acontecendo.
Pudera, eles estão permanentemente blindados com um forte esquema de seguranças e toda uma parafernália de circuitos eletrônicos, que mais se parece com o programa "Big Brother".
Enquanto isso, o desemprego aumenta, a inadimplência castiga o sofrido povo, o comércio e outros serviços estão contabilizando amargos prejuízos e as perspectivas estão cada vez mais sombrias, as esperanças desaparecem e não se vê luz no fim do túnel.