O que existe são muitos vigaristas espalhados em acampamentos nas beiras de estradas, e eles mentem ao afirmar que nunca foi tão fácil conseguir um lote de reforma agrária.
Os acampamentos de sem-terra estão cada vez mais numerosos em Mato Grosso do Sul, o que necessariamente não significa que a quantidade de pessoas vinculadas a esses grupos de camponeses tenha crescido na mesma proporção.
A julgar pela movimentação verificada por nossa equipe de reportagem ao visitar algumas destas aglomerações de barracos nas margens de rodovias que dão acesso a Campo Grande, à medida que as estruturas feitas de madeira, palha, papelão e lona se multiplicam, elas ficam cada vez mais desabitadas.
Reportagem publicada na edição de ontem demonstra que o movimento sem-terra cresce, pelo menos em acampamentos à beira de estradas e perto das zonas urbanas. Para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a quantidade de trabalhadores sem propriedade rural também aumenta.
As estatísticas do órgão federal indicam a existência de pelo menos 2 mil famílias à espera de um lote em projetos de assentamento. É importante frisar que o conceito de família usado pelos camponeses e pelo governo já ficou para trás. Quase a totalidade destas “famílias” é composta de apenas uma pessoa, duas no máximo.
Até mesmo na MS-040, via inaugurada em 2014 e que liga as cidades de Campo Grande e Santa Rita do Pardo, já existem novos – e praticamente desabitados – acampamentos. Perto da Colônia Yamato, algumas dezenas dessas estruturas precárias foram levantadas no último mês.
O que mais chama atenção nesses lugares são as mensagens enganosas para atrair novos sem-terra. “Nunca esteve tão fácil conquistar seu pedaço de chão”, afirmou a quase desconhecida “Ligas Camponesas e Urbanas do Brasil” em um dos panfletos afixados nos barracos. O grupo ainda fala em “novo movimento de reforma agrária” no País. Falácia.
A última inauguração de um projeto de assentamento rural em Mato Grosso do Sul ocorreu em 2014. O trabalho do Incra para desapropriar fazenda, delimitar área e distribuir os lotes, neste caso específico, começou pelo menos quatro anos antes, no início da década. E o cenário futuro é ainda mais pessimista aos que esperam por novos parcelamentos de propriedades para concedê-las aos sem-terra. Não há nenhum trabalho em novos projetos no Incra.
O que existe são muitos vigaristas espalhados pelas beiras de estradas. Vigaristas que mentem ao afirmar que nunca foi tão fácil conseguir um lote de reforma agrária. Muitos deles se integram a esses movimentos e, quando recebem estas propriedades, são os primeiros a abandoná-las, vendê-las ou arrendá-las informalmente.
Conforme reportagem publicada no mês passado, os 204 projetos de assentamento de Mato Grosso do Sul têm 4,2 mil lotes vazios. Eles seriam suficientes para suprir a demanda das duas mil famílias acampadas. Ineficiência lamentável.