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Karla Santa Cruz Coelho: "Combate à obesidade requer ação conjunta e visão ampla de saúde"

Diretora de Normas e Habilitação de Produtos da Agência Nacional de Saúde

Redação

21/12/2017 - 02h00
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A receita não é nova, tampouco desconhecida: a melhor forma de prevenir e combater o excesso de peso envolve a prática de exercícios físicos e cuidados alimentares. Mas, apesar da aparente simplicidade dessa fórmula, a realidade mostra que sua aplicação prática não tem sido suficiente para deter o problema, que é apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais questões de saúde enfrentadas atualmente no mundo.

O excesso de peso e a obesidade se constituem no segundo fator de risco mais importante para a carga global de doenças, incluindo diabetes, enfermidades cardiovasculares e diversos tipos de câncer.

Estimativas da Associação Internacional de Obesidade indicam que 1 bilhão de adultos tenha excesso de peso no mundo e cerca de 475 milhões sejam obesos.

No Brasil, a situação não é diferente. De acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), mais de 50% da população brasileira adulta estão acima do peso.

Entre os beneficiários de planos de saúde, conforme mostram dados do Vigitel da Saúde Suplementar que está sendo lançado, em 2016, 53,7% da população apresentou excesso de peso e 17,7% estavam obesos. E essas taxas vêm aumentando, com uma variação média de 0,8 e 0,6 ponto porcentual ao ano, respectivamente.

Sabe-se que a obesidade é uma doença multifatorial, reincidente e muitas vezes silenciosa, e se não for prevenida e cuidada corretamente tem um impacto devastador na vida do indivíduo, bem como na economia do País.

A prevenção e o tratamento precisam de uma abordagem multiprofissional e transdisciplinar. Dessa forma, a proposta de enfrentamento do problema requer ação de diversos setores da sociedade, não apenas do setor de saúde.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem estimulado os planos de saúde a repensarem a organização das suas redes de atenção, no intuito de rediscutir as formas de organização dos serviços de saúde. O objetivo é monitorar os fatores de risco, gerenciar as doenças crônicas e a compressão da morbidade e diminuir os anos de vida perdidos por incapacidades.

Nesse contexto, a ANS criou um grupo multidisciplinar para conduzir o Projeto de Enfrentamento do Excesso de Peso e Obesidade na Saúde Suplementar, estimulando o engajamento dos atores do setor em uma visão ampliada de saúde.

As discussões promovidas pelo grupo resultaram em um conjunto de diretrizes que apontam para a integração entre procedimentos de prevenção e cuidado, compondo uma orientação criteriosa que baseará ações das operadoras de planos de saúde.

A utilização de normas baseadas em evidências científicas permite que os profissionais de saúde identifiquem o risco e o caminho a ser percorrido pelo indivíduo com excesso de peso e obesidade, e seu monitoramento por meio de indicadores de acesso, da qualidade e do nível de coordenação do cuidado.

Essas diretrizes ainda permitem a implementação de ações de promoção, prevenção e a realização de busca ativa, para que seja feito o diagnóstico precoce, a continuidade entre o diagnóstico e o tratamento, informação compartilhada e tratamento mais adequado e, em tempo oportuno, para que o paciente com excesso de peso consiga seguir o percurso ideal para o cuidado.

A obesidade é resultado de uma complexa combinação de fatores biológicos, comportamentais, socioculturais, ambientais e econômicos.

A proposta de enfrentamento do problema, portanto, requer ação de diversos setores da sociedade e não pode ficar restrita à saúde. A estratégia deve contemplar uma abordagem ampla e focada nas necessidades do indivíduo.

As recomendações para mudança nos hábitos de vida devem ser graduais e prazerosas, com um olhar voltado para o contexto socioeconômico e cultural, adaptando recomendações e estratégias de implementação customizadas. Somente assim conseguiremos melhorar a qualidade de vida e os índices de saúde da população.

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