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Rolemberg Estevão de souza: "Investir para crescer"

Diplomata

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O ano de 2017 poderá ser lembrado no futuro como aquele em que o Brasil preparou e semeou a terra com os grãos do crescimento e da construção de um novo País. Ao menos três acontecimentos concorreram para isso: a retomada – ainda que tímida – do crescimento da economia mundial, as novas diretrizes definidas pela China ao confirmar o novo mandato de Xi Jinping e, no plano interno, a estabilização política do País, em sua caminhada de volta à normalidade. Tanto no plano interno quanto no internacional de grande importância, a atuação do presidente Michel Temer e de seus principais aliados, com o deputado federal Carlos Marun, representante do nosso estado na Câmara dos Deputados.

Dez anos após o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, que deu início a uma crise financeira internacional comparável à época da grande depressão dos anos 1930, diversas economias retomaram o crescimento e outras conseguiram se estabilizar. O relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), World Economic Outlook, publicado em outubro, reiterou expectativas anteriores de expansão, chegando a anunciar que 75% do PIB mundial estava em aceleração. A perspectiva de crescimento era de 3,6% a 3,7% para os anos de 2017 e 2018, respectivamente. Reconhecia, porém, o relatório do FMI que a retomada não seria rápida, considerando-se, por exemplo, o baixo dinamismo da economia norte-americana e a quase impossibilidade de a China repetir o desempenho da década passada.

As dificuldades estão presentes em economias tão distintas quanto a brasileira e a norte-americana. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está próximo de completar o primeiro ano de mandato, tem enfatizado a necessidade de melhorar os índices internos de produção e produtividade para a recuperar empregos e dinamizar o consumo. Nesse sentido, devemos acompanhar com atenção as relações entre Washington e Pequim, e procurar entender a ambivalência de uma política que reconhece a importância de intensificar os laços comerciais e financeiros com a China, mas que reluta em reconhecer no país uma economia de mercado, como explicitado junto à Organização Mundial de Comércio (OMC).

O presidente da OMC, o brasileiro Roberto Azevedo, manifestou preocupação quanto ao comportamento de autoridades de Washington, refratário ao multilateralismo. Não obstante, prefere destacar que os EUA não estão fora das negociações e que têm colaborado no avanço da negociações. Quanto ao Brasil, embora tenha problema de competitividade, possui áreas de excelência como agrícola e em alguns setores da indústria. A melhoria em matéria de competitividade requer avanços em infra-estrutura, ampliação e diversificação de produtos e melhor desempenho tecnológico. Para tanto, o país tem buscado recursos em países que se encontram na vanguarda do desenvolvimento, principalmente a China.

Na visita do presidente Temer à China, em agosto, ocasião na qual também participou da 9ª Cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), foi apresentado às autoridades chinesas um pacote de concessões e privatizações, englobando portos, rodovias e linhas de transmissão. Tais negociações se mostraram promissoras e não ganharam em densidade após essas negociações. Para Marun, as expectativas positivas advinham do fato de o Brasil ser um local seguro para os investimentos, como demonstrado em outras negociações realizadas em escalas da mesma viagem, como a venda de cinco aviões cargueiros militares (KC-390) para Portugal e investimentos cazaques, pela empresa Eurasian Mining Group, em um terminal portuário em Ilhéus e na Ferrovia que liga o Oeste da Bahia à cidade praiana. Na viagem, houve escalas em Lisboa e Astana, capital do Cazaquistão.

Soma-se a essas iniciativas, o recente anúncio feito pela empresa CAOA, maior revendedora latino-americana de veículos, de aquisição de 50% da Chery do Brasil, montadora chinesa de automóveis. A parceria CAOA Chery inclui o desenvolvimento de novas tecnologias, o que configura um caso inédito do setor no Brasil.

Essas são razões que justificam o otimismo em relação a 2018 e ao bom desempenho da economia brasileira que, entretanto, ainda enfrenta dificuldades. O crescimento demanda a continuidade das reformas, em especial da Previdência e Tributária. Precisamos superar as heranças do atraso e caminhar em direção a um país mais justo, com menos privilégios e com distribuição de renda mais equilibrada.

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