Não sei quando, mas provavelmente nem eu, nem você, com as tecnologias atuais disponíveis e em processos de invenção, poderemos viver a experiência que vou detalhar aqui. Quando ela acontecer, será muito interessante e poderá levar as pessoas que dela participarem a refletirem profundamente sobre pequenas coisas, as quais damos tanta importância, e grandes coisas, as quais nem sequer percebemos. Estou tentando falar da vida. Da nossa vida.
Imagine você, se pudéssemos fazer uma viagem em uma nave a distâncias estratosféricas de nosso planeta, de nosso sistema solar e quem sabe de nossa galáxia. E lá de longe, observarmos a insignificância do que somos em relação aos universos existentes. Se nosso planeta não existisse, dentro de todo o contexto dos trilhões de galáxias e bilhões de planetas que constituem cada galáxia, não faríamos diferença alguma. Seríamos, como disse Carl Sagan, um “pálido ponto azul” dentro de um, entre os tantos universos existentes.
Não estou falando da nossa pouca importância, caso fosse assim, eu iria, como fala um professor meu, ali fora me enforcar. Nossa importância entre nós, seres humanos e seres desse planeta, é única. Tão única, que não há outra pessoa igual a você, a qual você conheça. Somos tão exclusivos, que há outros universos dentro de nós. Senão, o que dizer dos octilhões de átomos que abrigamos, compondo nossas moléculas e trilhões de células e outras partes minúsculas constituindo um mundo à parte, o qual conscientemente não temos controle. Nesse mesmo contexto, somos importantes para quem nos ama, para aquelas pessoas que precisam de nós e sentem-se bem com nossa simples presença, ou nossas palavras.
A nossa insignificância que resumidamente trato aqui é a insignificância do que pretendemos ser, ao considerarmos que o ter possa nos fazer superior ao outro, permitindo assim que a vida seja vivida dando-se importância ao que não merece importância. É aquela poeirinha em cima da mesa que incomoda, ou o risco na lataria do automóvel que chama mais atenção do que os lugares que ele possa nos levar. É a casquinha do feijão grudada naquele dente do mais lindo sorriso que nos atrapalha a alegria compartilhada. É a roupa mal passada a desviar o nosso olhar em direção àquilo que não fazemos. Por não fazermos, pagamos o outro para fazer. O outro, para sobreviver, se sujeita a fazer aquilo que não gosta, mas que precisa. Os dois, o que paga e o que obedece às ordens, são “fabricados” com as mesmas matérias e retornarão para o mesmo espaço, depois que não houver mais serviço na vida para ser feito.
Retomando a viagem para fora do nosso universo, viveríamos então a rica experiência de que nos fala Larossa Bondía: “A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou que toca. A cada dia se passam muitas coisas, porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece”. Ao observarmos de longe a pequenez daquilo que consideramos tão importante para nós, talvez voltássemos os olhares para aquilo que proporciona os momentos de felicidades e alegrias, junto aos prazeres, e que não estão longe, mas, sim, dentro de nós.