A política não é uma coisa que definitivamente agrade a todos em igual proporção. Alguns têm verdadeiro fascínio enquanto outros evitam até falar, não obstante sê-la a mola propulsora da sociedade. Fazemos política o tempo todo, em casa, no trabalho, na escola, no lazer, enfim, no cotidiano geral. Praticamente nada funciona ao nosso redor que não tenha conotação e viés político. É, portanto, um exercício de reflexão importante e merecedor da atenção de todos, independentemente da classe social que faça parte.
Quando se revela desinteresse por esta arte, deixa-se à mercê de outrem a decisão de representar seus interesses mesmo com os riscos inerentes à espécie, tais como agir de forma incorreta e prejudicial. Transferir a terceiros a atribuição de representá-lo é legítimo, mas se escusar de participar da discussão política que envolve, inclusive, quem será este representante, afigura-se temerário. Fato é que há bons, mais ou menos e ruins políticos. Aliás, isso não é privilégio de um segmento social específico. Ética e sua falta não fidelizam agentes privados nem públicos – deveriam. Porém, imperioso é a depuração que somente o voto popular tem o poder de promover.
Afora o introito, o que quero falar, efetivamente, é de uma coisa: todos temos de ter lado na vida e assumi-lo sem receio das críticas que são comuns e às vezes avassaladoras, com reflexos destrutivos incalculáveis, mesmo que faça parte do jogo democrático. A Carta Política verbera que é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato (CF, art.5º, IV).
Nesse vagar, é de se destacar a postura firme e corajosa do político sul-mato-grossense recém-empossando ministro de Estado, o senhor Carlos Marun, que, no exercício de seu mandato popular, chegou à Brasília e fincou posição, ainda que esta agrade uns e outros não. É figura pública, eleito democraticamente pelo povo do nosso Estado e, portanto, detentor da prerrogativa de defender os interesses públicos sem prejuízo àqueles que não lhe emprestaram o sufrágio nas urnas. Tema espinhoso, eis que não possuo – nem vislumbro – legitimidade para aferir suas decisões tomadas, longe disso. Porém, como cidadão deste Estado, onde igualmente aos demais patrícios, temos de minimamente nos inteirar dos feitos que possam refletir no futuro dos que aqui habitam. Afinal, aqui também está a futura geração que comandará os destinos de nós todos.
Veja, pois, que Mato Grosso do Sul hoje empresta ao País um dos seus quadros políticos e isso não é pouco principalmente a considerar o que poderá advir de exitoso também para o Estado. É de conhecimento público que carecemos de fortes incentivos para implementar os mais variados projetos que viabilizem a vida de nossa gente. Esse fenômeno precisa transpor barreiras e traduzir em feitos transformadores de benefícios a esta terra. Torço para que isso não fique só na imaginação de articulista.
Não há nenhum mal em ser político, o livre-arbítrio vige embora a sociedade tem demonstrado desinteresse com esta classe. Entrementes, aos que assim optam que adotem a predileção tal qual feita pelo ministro Marun. Mais que isso, que não se esqueçam do compromisso feito em período eleitoral máxime porque estamos na iminência de apurar e separar o joio do trigo no processo eleitoral que se avizinha.
De toda sorte, inexistem fatos que comprometam a idoneidade do citado ministro. Tem demonstrado ser pessoa que não abandona causa que acredita, bem como coerência em suas convicções, embora possa ferir suscetibilidades. Se sua decisão contextual foi certa ou não, o tempo dirá, eis que senhor da razão.