O único setor que criou novos postos de trabalho em Mato Grosso do Sul, durante o mês de novembro, foi o comércio. Indústria de transformação e agropecuária fecharam vagas.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho sobre Mato Grosso do Sul, divulgados ontem, trazem uma notícia boa e outra, não muito positiva para a economia local. Diante do fechamento de 2.444 postos de trabalho no Estado no mês de novembro, o alento é que o comércio, setor que mais emprega, teve variação positiva no mês passado. Esta é a boa notícia.
O Caged, porém, traz informações que deveriam soar como alerta às autoridades e empresários. A forte redução nos postos de trabalho no Estado durante o mês de novembro está diretamente ligada à indústria de transformação, setor responsável por agregar valor à economia local.
Deficiências na área industrial podem impedir que Mato Grosso do Sul, estado predominantemente dependente do agronegócio, mantenha empregos em seu território para processar a matéria-prima que já produz.
Na indústria de transformação foram fechadas nada menos que 869 vagas, quantia que, juntamente com o mau desempenho dos serviços e da agropecuária, levou o Estado a ter o quarto pior desempenho no mercado de trabalho no mês de novembro.
Os números do Caged também refletem os problemas de setores fundamentais para a geração de renda, como o de frigoríficos e o sucroalcooleiro. Estes dois grupos têm alto poder de distribuição do dinheiro que movimentam e, quando funcionam como deveriam, geram muitas vagas de trabalho.
No caso do setor sucroalcooleiro, as usinas sofrem com a baixa demanda por etanol no mercado interno - apesar das constantes altas no preço da gasolina - e também com a falta de fôlego financeiro por parte dos usineiros.
Não só em Mato Grosso do Sul, mas em outros estados brasileiros várias indústrias de álcool e açúcar têm encerrado atividades por causa, sobretudo, das dívidas.
Já entre os frigoríficos, o contexto de 2017 - ano repleto de denúncias envolvendo os executivos da JBS - e o pagamento de propinas a governantes por meio dos incentivos fiscais que recebiam, além de sucessivas suspensões de abates diretamente relacionadas a estas denúncias, prejudicaram não somente a geração de vagas nas plantas industriais, mas em toda a cadeia da pecuária.
Em meio a disputas de poder e investigações federais em andamento, quem sofreu as consequências negativas deste imbroglio foram os trabalhadores dos frigoríficos e os produtores rurais. Pior para a economia sul-mato-grossense, pois houve menos gente trabalhando e recebendo salários, rendimento que seria utilizado no comércio local.
Sabemos da importância do comércio para a economia. É certamente o setor mais forte, porque é lá que todos consomem. Porém, sem que os setores produtores de matérias-primas e o de transformação estejam fortes, as lojas e supermercados vendem menos.