A conexão e a multidisciplinaridade têm sido focos de inúmeras discussões, sendo um consenso que o futuro de inúmeras áreas reside nessa poderosa combinação. Estamos cada dia mais conectados com imenso acesso à informação, propulsionando as descobertas e os avanços de modo nunca dantes observado.
A revista Nature reforçou ainda mais essa observação, em que descreve claramente que nações que recebem pesquisadores internacionais e estimulam a colaboração além de suas fronteiras tendem a produzir conhecimento com um maior impacto científico.
Nessas nações, os projetos internacionais representam uma fração considerável dos gastos do governo nacional em pesquisas científicas.
Em contrapartida, nos países na vanguarda da pesquisa, o porcentual de artigos que são notoriamente produzidos internamente cai ano a ano. Para construir tais conclusões, a produção científica de 36 nações diferentes, juntamente dos gastos do governo em ciência, foram avaliados.
Observou-se que embora os gastos do governo em pesquisa e desenvolvimento se relacionem diretamente ao número de publicações produzidas, essa correlação não foi direta ao impacto científico.
O que se observou entretanto é que, apesar da dificuldade de avaliação pelas métricas disponíveis, o que se correlacionou com o impacto da descoberta aparenta ser a abertura de um país.
Essa abertura pode ser marcada principalmente por coautorias internacionais e pela mobilidade da força de trabalho de pesquisa. Nesses termos, aparecem nas primeiras colocações os Estados Unidos, seguidos pelo Reino Unido, pela China, Alemanha, França e Canadá.
Na outra ponta da lista, encontram-se os países mais fechados à pesquisa colaborativa, incluindo Rússia, Turquia e Polônia.
A explicação para esse efeito observado pode ser sugerida diretamente no aumento de troca de ideias que incentivam uma maior criatividade, ou basicamente um ciclo honesto de trabalho de qualidade em certos países que atrai certos pesquisadores a trabalhar com aqueles em países de maior impacto.
Interessantemente no Japão, os impactos de produção e citação permaneceram inalterados desde 2000. O Japão também está entre os países menos internacionalizados entre as nações líderes, e esse fato pode estar diminuindo seu desempenho.
Os dados demonstram que talvez seja necessário alterar as políticas públicas de financiamento vigentes onde os órgãos de fomento financiam apenas pesquisadores nacionais ou mesmo regionais. A mais longo prazo, o país pode se beneficiar mais financiando ciência de qualidade onde quer que ela esteja, assegurando que os cientistas nacionais estejam ligados a ela.
Restringir o movimento de pesquisadores pode ser extremamente contraproducente. Assim como as indústrias fazem decisões estratégicas como vender ou comprar, os governos devem fazer tomadas de decisão como conectar ou afundar o investimento em pesquisa.
Dessa forma, conectar parece ser a essência de um futuro de sucesso na ciência. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.