Enfim, 2017 se foi. Revelou-se um ano bom, ruim ou mais ou menos? Depende do ponto de vista individual. Entretanto, fato é que algumas frases foram destaques negativos, vejamos: medo, vergonha, tensão, crise e corrupção. Doravante, o que nos resta é torcer para que esses fenômenos não façam mais parte do nosso cotidiano.
Diante de tantos maus exemplos é possível cravar que pouca ou nenhuma saudade deixou o finado. Na história recente não há muito do que se orgulhar. Alguns espectros ganharam destaques não pela hegemonia mas pelo efeito devastador causado: “A locupletação desmedida. A apreensão de malas e de alguns “malas”. Shows de pirotecnia. Delações premiadas. Gravações “ilícitas” de conversas íntimas, etc.”.
Também, comuns foram certos noticiários: “É um caos! Agora, sim, o Brasil será passado a limpo. Cadeia neles. Surgirá das cinzas um novo País”. Ufa, por sorte o velho se foi.
Pois bem, o noticiário de tanto desserviço prestado – as investigações estão em curso – não foi privilégio nosso, o mundo soube. E, ainda para completar as mazelas expostas houve um cabo de guerra entre o Judiciário e o Legislativo de cujas posturas institucionais em nada contribuíram para a segurança jurídica tão cara e necessária numa República.
No entanto, sob o ponto de vista jurídico, hão de ser respeitados os direitos mais comezinhos sublinhados na Carta Política, que são o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa sem prejuízo ao uso e gozo dos recursos cabíveis e vigentes. Afora isso, o Brasil parou no tempo, embora há quem diga o contrário. Mas, não creio, é só olharmos para o lado que veremos o nível de desemprego e outras mazelas igualmente expostas. Que ano emblemático; que Nação forte é a nossa. Que gente resistente!
Claro que as dificuldades são intensas e portanto, neste plano, não tem como ser muito diferente porquanto as imprevisibilidades acontecem e seus efeitos são inimagináveis enquanto que o alvo seja sempre o mesmo: o povo. Enfim, tem saída? Penso que sim, embora a história recente mostra que sem sacrifícios nada proveitoso será alcançado. Daí, a esperança reside na geração que está por vir. A ela infere-se a mais profunda crença.
Sobeja disso e não é demais lembrar que a educação é o caminho mais curto para alcançar as transformações e aprimorar as instituições existentes. Para tanto, a busca pelo aprendizado deve ser incessante e coletiva, passando pelo docente, discente, pelo povo e seus governantes. Na busca do êxito não se estabelece hierarquia funcional mas divisão de tarefas onde cada um oferece o que tem de melhor, seja no conhecimento ou no sacrifício que esteja disposto a oferecer. O saber não ocupa espaço e sim o vazio de nada saber (Eça de Queiroz, romancista português do século XIX).
A arte de ensinar e a predisposição de aprender é simbiose perfeita que se impõe, mas sem robustez, eis que onde reina a força o direito não tem lugar. A todo instante é preciso querer ensinar sobretudo aos que carecem e se dispõem a aprender e, a fórmula – não me coube tê-la nem tampouco desejo – seguramente passa pelo conhecimento, a dedicação, o esforço e também a compreensão das vicissitudes de cada ser humano. Portanto, que venha o 2018. Que seja o ano do direito. E direito não é só algo que se sabe; é algo que se sente.
Também é de compreensão meridiana que educação transpõe barreiras e, portanto, deve iniciar no convívio familiar, aprimorando-se no cotidiano individual e coletivo. Cada tempo tem sua importância, seu significado e, nenhum de nós deve transferir a outrem o que lhe seja de responsabilidade desempenhar.
Se a mola propulsora do desenvolvimento da espécie sugere a boa convivência humana, resultado diverso não há senão trafegar pelo horizonte de quem se dispõe a professorar. O futuro é uma incógnita mas se projetado com metas e objetivos palpáveis a possibilidade de êxito pode superar o pessimismo de quem se vale do banco da praça e se senta à toa na vida, esperando a banda passar.
Então, que todos possamos continuar estudando mesmo que seu ciclo de aprendizagem e graduação possa sugerir a impressão que o sucesso foi plenamente alcançado eis que depois do quinto vem o sexto, o sétimo ano, e assim por diante... eternamente.