É evidente que inexista algum jurista de mentirinha. Não é necessário sair da terrinha para confrontarmos com importantes colegas igualmente merecedores de destaque. Contudo, é claro que trago à baila sofisma na pretensão de demonstrar o sentimento de gratidão por ter conhecido e compartilhado o “mundo jurídico” com quem me permito debruçar em algumas linhas para relembrar.
Tenho orgulho de fazer parte desta carreira. Sempre que posso saliento que nasci advogado e me tornei criminalista por vocação e paixão. Imagino que esses mesmos predicados tenham sido decisivos para iniciar e impulsionar a brilhante carreira escolhida e exercida pelo ora homenageado.
Tive o privilégio de conhecê-lo e beber de sua fonte de conhecimento e inteligência que sem dúvida me trouxeram benefícios que busco implementar no cotidiano de vida e da profissão, sem, contudo, deixar de destacar a imensa distância que separava aquele deste. Ali tinha sabedoria, ética, experiência, coragem, e comprometimento com a causa do seu assistido. Foi um exemplo a ser seguido. Seu clã que o diga.
Venho de uma geração que obteve como referência jurídica a atuação do Professor Ricardo Trad, seja em sala de aula, nas lides forenses e principalmente no Tribunal do Júri. Neste particular, tornou-se ímpar, soberano, persuasivo e defensor da ampla defesa no estrito cumprimento do mandamento constitucional.
Foi um profissional brilhante, embora, certamente, não tenha agradado a todos – talvez nem quisesse, sua humildade não permitiria – o que de per si não seja tarefa fácil posto que o criminalista não defende o crime, defendo o homem. Trazia consigo sempre a convicção de que não é preciso ser inocente para ter garantias legais.
Não há dúvida de que temos de caminhar adiante, na busca do futuro cada vez melhor. Porém, uma homenagem póstuma a quem dedicou sua vida ao Direito – claro, à sua família e amigos também – merece um tratamento diverso daqueles que eventualmente justificaram sua estada neste plano somente pela existência de um túmulo.
Com a sempre balizada permissão do caro leitor, reflito que as coisas não são eternas e, portanto, deveria nos ensinar não que devemos ambicioná-las, mas sim que devemos usufruí-las enquanto estão aqui, sem nos apegarmos a elas. Tudo é passageiro. Que saudade!
Em conclusão, parafraseando o renomado escritor holandês HENRI NOVWEN digo: “Há dois dias que não podemos fazer nada na vida: ontem e amanhã”.