Conhecemos muitos professores que sentam em suas cátedras e derramam enxurradas de conhecimentos pessoais, de experiências adquiridas e de projetos muito interessantes. Conhecemos muitos teóricos em educação, em filosofia e em religião. Conhecemos muitos aventureiros com suas teorias, suas fantasias e suas imaginações.
Estão faltando pessoas que se misturem em suas comunidades e participem em suas buscas de conhecimentos, em seus anseios de liberdade e em suas tentativas de conhecer a verdade sobre cultura, sobre política e até sobre religião.
Estão faltando pessoas que aceitem caminhar com o povo sofrido, explorado em sua fé, traído em seus sonhos e pisoteado em suas esperanças. Esse é um povo que acreditou em promessas e foi traído. Esse é um povo que confiou em seus líderes religiosos e acabou explorado em seus anseios de felicidade e de vida plena.
Estão faltando profetas. Estão faltando homens e mulheres que caminhem com o povo simples, escutem seus anseios, ajudem a pensar saídas, animem os desanimados, confortem os desiludidos, iluminem suas mentes e realizem seus sonhos. Homens e mulheres depreendidos de si e comprometidos com a justiça e a verdade.
Estão faltando sábios. Existem muitos dotados de grandes conhecimentos. Existem muitos investidos de inúmeras técnicas. Existem muitos capacitados em suas especialidades. Mas lhes falta a sabedoria. Falta a simplicidade no ouvir, humildade no falar e segurança no agir. Falta deixarem que a luz do amor de Deus encha seu coração de alegria, sua inteligência de sabedoria e seus gestos de simplicidade.
O Mestre dos mestres, em seus peregrinar por esse mundo, chegou a uma cidade e, como era costume, entrou na sinagoga para as tradicionais orações. Apresentaram-lhe um homem perturbado em sua mente e sofrendo terrivelmente em sua alma. E o Mestre o libertou para espanto de todos e o devolveu à família.
Diante do acontecido, espalhou-se um comentário entre o povo que o deixou intrigado: “O que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus e eles obedecem!” (Mc. 1, 27). Diante disso, aconteceu que muitos mudaram seu modo de pensar e seguiram o Mestre.
Somos necessitados de mestres, de pessoas seguras em seus princípios, iluminadas pela fé, fortalecidas em suas convicções e disponíveis no serviço aos menos instruídos e menos queridos. E só os mestres serão capazes disso por não serem pretensiosos, mas por serem simples e humildes.
Não mostram que sabem. Convencem pela simplicidade no relacionamento e pela paciência no agir. Não tem pressa. Sabem e aceitam prosseguir nos caminhos da aprendizagem, respeitando as limitações de seus seguidores.
O mundo precisa de pessoas felizes. Pessoas que irradiem bem-estar, que revelem alegria em seus olhares, maturidade em seu pensar e muita fé em seu agir.
O mundo está precisando de profetas que auxiliem as pessoas a acreditarem que são felizes, a superarem suas dúvidas e saborearem suas conquistas, pois Deus as quer assim.